REFLEXÃO: LIVRE ARBÍTRIO, O QUE PODEMOS ESCOLHER?

Há muitas coisas que ocorrem no dia-a-dia que parece que estamos perdendo o controle de tudo. Mas, será verdade que nos é permitido escolher?  Será mesmo que temos o controle, que os resultados das nossas ações são todas baseadas no nosso livre arbítrio?

 Vamos refletir um pouco sobre o nosso livre arbítrio e o egoísmo.

Inicialmente, é fato que não podemos nos ater aos nossos caprichos e vaidades, porque ao que tudo indica, as coisas são como são, é o que é, parafraseando o poderoso chefão. Entretanto, alguém poderá até advogar que tudo é uma questão de determinismo, — eu não sei, – pode até ser…

Mas, fato é, também, que quanto mais pensamos que temos o controle de tudo, quanto mais agimos como atitudes egoístas: (eu, eu, eu, —eu acho, —eu quero, —eu tenho) mais as circunstâncias nos revelam que estamos errados.

O egoísmo é uma expressão que por si só denota muita subjetividade e, ao que tudo sugere, o nosso subjetivismo tenta suplantar a ordem do universo e suas leis implacáveis! — por vezes, até pensamos que o mundo gira em torno do nosso umbigo —, por assim dizer.

Como ocorreu no passado até na idade média, é possível verificar que ainda ocorre hoje: sabemos pela história que naquele tempo, que as mentes “pensantes”: (intelectuais e autoridades eclesiásticas) diziam sobre à terra ser o centro do universo e tudo mais. Embora hoje, superamos a falta de conhecimento do cosmos, mas, por outro lado, nos tornamos egocentristas: pensamos ser como à terra daquele tempo: o centro do universo.

“Aqui e agora”, —parafraseando Ian Mecler —, com olhar no presente. Podemos aferir que desde que saímos das cavernas e vagueamos pelas savanas do continente africano, como catador e coletores, evoluímos muito. No século passado, por exemplo, mandamos as primeiras pessoas para ao espaço e pousaram na lua, mas, o nosso ego cresceu enormemente.

Embora, ninguém consegue viver sem ter ego, porque ele faz parte da nossa essência, é a manifestação daquilo que nosso torna indivíduos. E, essa individuação, é que permite seremos autônomos. Contudo, essa autonomia, no quesito das nossas vontades, está intrinsecamente conectada com tudo, mas não é absoluta.

Alguém, poderá até dizer que tem autonomia, livre arbítrio: (eu escolho x ou y). Mas, ocorre que as nossas escolhas não absolutas ou só são apenas, pela maneira que enxergamos o mundo circundante. Isto é, a nossa capacidade de escolha só é perfeita na maneira que enxergamos o que é externo. Mas, o mundo que se manifesta para nós deriva da resposta da lei de causa e efeito, portanto, fogem do arbítrio privado, do nosso livre arbítrio.

Por fim, quando se diz: eu perdi, eu deixei, eu, eu… —, quando mais se utilizar desse pronome possessivo para explicar suas escolhas, isso só demostrará o quanto está longe da iluminação. Na verdade, agindo assim, é fato que você dorme ou vive como prisioneiro do mito da caverna de Platão.  Ao passo, que o despertar para a verdade primeira (a liberdade), pressupõe, o autoconhecimento, o conhecimento de si mesmo e, é isso, que o tornará indivíduo pleno para compreender e se desenvolver, existir plenamente.

REFLEXÃO: A VERDADE PARECE FÁCIL, MAS COMPREENDE-LA NÃO É SIMPLES

Partindo da assertiva ancestral (uma verdade primeira): tudo que existe no universo foi (criação), obra de uma inteligência superior, ideia amplamente aceita pelo mundo afora. Tanto é, que muitas culturas ao redor do planeta a chamam de divindade (inteligência essencial). O todo por trás da existência universal. Seja como for, o homem há séculos vem atribuído nomes, designações, conceitos e explicações para tal poder primordial, mas, isso pouco importa.

Relembro aos leitores, que o meu objetivo, nestes breves textos, é refletir mantendo um viés empírico e racional, por isso, nunca conjecturo ou pretendo esgotar quaisquer temas, apenas busco uma melhor compreensão, procurando expandir a consciência continuamente.

Nesta reflexão, analisamos que SIGNIFICA dizer que nós seres humanos existimos como parte do todo. É fato cientificamente aceito: “toda matéria conhecida é composta de átomos”, logo, tudo é energia, que ora “se comporta com onda, ora como partícula, a depender do observador”. — Somos gratos pela grande contribuição dos estudos científicos, em que se extrai: “somos apenas energia e frequência”. Assim sendo, o conceito de tempo e espaço por certo é uma concepção humana dada ao nosso grau de compreensão do que seja o todo.

Então, até onde sabemos, todas as coisas vieram de única fonte: somos parte dessa energia primordial, que tudo provem, desde um grão de areia até os enormes aglomerados de galáxias. Eis, o (xis) da questão, — e se assim o é, poderíamos dizer que a inteligência criadora coexiste em nós! — Já que está em tudo.  

Somos como diz na astronomia “poeira das estrelas”, e isso, pode até parecer perturbador para muitos, mas pelo contrário, é muito reconfortante, sobretudo, a despeito de tudo que você compreenda significar. É fato que existe em nós uma inteligência latente oriunda de tal força criadora, porquanto, isso explicaria, por exemplo, porque estamos em constante evolução (sociedade, tecnologia, autoconhecimento, etc.). Tomamos por paradigma, a resposta de uma criança de cinco anos (sobre o que é o sol), percebemos ser relativa ao seu discernimento, e ponto.

Por fim, sendo o que somos, é razoável aceitar a expressão de “cocriador do mundo”, porque faz muito sentido, — não?  — Vamos a assertiva, primeira parte:  “A VERDADE PARECE FÁCIL”, porque está em nós, bastam os questionamentos. Quando a segunda parte: “MAS COMPREEDÊ-LA NÃO É SIMPLES”, porque depende muito do nosso grau de discernimento: até que ponto estamos dispostos a descer na toca do coelho? — Disso decorre, que se trata da maior jornada do ser humano, sendo que o único caminho é pelo autoconhecimento, o conhecimento de si.

REFLEXÃO: VIDA, QUESTÃO EXISTENCIAL, ONDE ENCONTRAR RESPOSTAS?

Desde jovem venho me questionando, busco conhecimento sobre questões existenciais. Procurei através dos livros sagrados de religiões – apendi muito, é um saber repleto de complexas alegorias, mitos, (leis e costumes antigos) e as narrativas do extraordinário transcendental; na filosofia clássica e moderna — aprendi um sem números de questionamentos sobre quase tudo que consiga imaginar; no misticismo antigo — vê quase de tudo sobre a existência, mas tudo carregada de intrincado simbolismo; nos estudos da psicologia, empreendi sobre psique humana com afinco — fiz constatações incríveis que pôs a baixo minhas até então, crendices; pela neurociência me oportunizou entender o funcionamento das respostas sensoriais e sobre o funcionamento da mente humana.

Seja onde for que minha busca me levava, uma coisa cada vez mais estava mais clara e comum, como diz aquela canção dos anos 80: “E tudo ficou tão claro / O que era raro ficou comum“, que as respostas nunca estão fora de você.

Compreendi isso e se tornou como um paradigma para o meu entendimento: pouco importa o que dado ramo do conhecimento tenha explicado sobre sua busca existencial porquê as respostas não estão no que é externo de ti, mesmo que afirmem que a verdade seja alguma força extraordinária e sobrenatural.

Inclusive, também, percebi que existe um limite de esclarecimento para cada ramo do conhecimento e que a partir de determinando ponto, você corre o risco de admitir que o saber ultimado é aquele que consegue responder quase tudo, — mas esse, é o maior dos erros que um buscador comete: — adotar determinada doutrina, ciência, filosofia ou quaisquer “sabedorias” para explicar tudo.

Toda vez que concluía uma linha de pesquisa, lembrava do grande sábio Sócrates: “só sei que nada sei”. Contudo, para questões existenciais (quem somos, de onde viemos, para aonde iremos) são respostas ao alcance de cada um, a depender tão somente de fazer as perguntas certas. 

Por fim — é pelo autoconhecimento poderemos excluir aquelas possibilidades que não somos, porque se tudo está em mudança (no universo) e nada morre, então somos o espírito que vagueia, ora está aqui, ora ali, e ocupamos o recipiente que nos agradar, em vida física o chamamos de corpo. Porém, o que mais importa saber é o que habita nele é eterno, imperecível, o incompreensível eu sou, e tudo mais perece sob o sol.

REFLEXÃO: O SER RIDÍCULO, INCONSCIENTE DA VERDADE

Se observarmos atentamente o cotidiano, desde as nossas relações interpessoais, notaremos o esvaziamento de muitos conceitos que até recentemente representavam valores nobres, tais como: (amor, gratidão, compromisso, honestidade, autenticidade, verdade).

O mestre grande Zygmunt Bauman bem nos advertiu sobre “realidade liquida”, isto é, que vivemos num mundo onde o que é concreto desvanece e não existe a certeza, permanência, perenidade, porque desde a ideia de (verdade) é relativizada com o vulgar e o fluídico.

Experimentamos tal realidade (liquida), no dia-a-dia, por exemplo, um termo difundido na sociedade contemporânea “politicamente correto”, que invariavelmente nasce da aprovação social, das redes sociais. Aquilo, que é fato para uma grande parcela de concidadãos, mas foi refutado por pesquisas cientificas: ao identificarem naquele termo uma incoerente com a realidade, trata-se da mera designação de é um “inimigo imaginário”.

Ao que tudo demonstra, estamos no limiar do senso do ridículo.

Fato observável em comportamentos recorrentes de milhões de indivíduos: que bebem daquela fonte (inútil) de saber, e se embriagam com a ignorância e vagueiam na escuridão do entendimento. Penso que milhões de pessoas perderam a noção da realidade, porque mesmo não tendo nenhuma certeza de algo insiste em propagar crenças como se fossem fatos, a exemplo dos ‘fake news’.

Porquanto, é enorme a repercussão dada a toda sorte de absurdo e inutilidade, que uma mente minimamente desperta é incapaz de imaginar: apocalipse religioso, invasão alienígena, teorias da conspiração, dietas milagrosas, mil maneiras de ficar rico, rezas, santos e feitiços poderosos, etc. e a pior parte disso é que tais pessoas têm convicções de veracidade.

Por fim, o ser ridículo, é aquele indivíduo que despreza a razão em detrimento do apego crendices justificadas, por exemplo, num metafísico transcendente. E, por não buscar compreender a própria existência, a compreensão de si, ao tentar fazê-lo, intenta através de ensinamentos leigos, com leituras limitadas sobre textos carregados de signos e símbolos muito antigos. Nos quais, a depender da interpretação se desprendem enormes contradições.