CAMINHO DAS PEDRAS: COMO E PORQUÊ SER ARTESÃO DA PRÓPRIA VIDA

Por que maioria de nós fracassa em nossos propósitos? — Por exemplo, as promessas que fazemos a cada início de ano, as quais invariavelmente não se realizam ao longo de doze meses seguintes? — Muitos podem até discordar, mas há algo que é determinante para conseguirmos o que desejamos num ano novo.

Trata-se de aprender e planejar as virtudes necessárias para que os nossos projetos funcionem. — A pergunta de um milhão de dólares:

O que significa fazer um planejamento para que as coisas funcionem? Como ser artesão de si?  — Basicamente, tendo mais autocontrole, o controle de si.

Vamos por partes!

Partindo do ponto em que somos humanos, seres trinos, isso é, formados de três partes. Ao mesmo tempo, temos: 1) um corpo físico; 2) a capacidade intelectual e 3) nossos sentimentos. E, parece certo que na maioria das vezes negligenciamos qualquer uma dessas partes e causamos um desiquilíbrio. Portanto, para que possamos dar o melhor de nós, significa que devemos cuidar do todo, daquilo que nos faz humanos. Primar pelo equilíbrio:

Do corpo: (Cuidados físicos) — A vida saudável pressupõe: boa alimentação, exercícios, repouso (dormir bem), abster de vícios, etc., por exemplo, quem nunca esteve envolvido numa proposta de melhorar a aparência do próprio corpo, mesmo sabendo que deveria fazer exercícios regularmente, e tudo mais? Mas, procrastina sempre e, acaba por nunca realizar nada para esse fim;

Do emocional: (Gerenciar as emoções) — Todos conhecemos pessoas que agem com emoções a flor da pele, não se dão conta de que atitudes de descontroles prejudicam tudo, seja nas relações: afetivas, familiares, amizades, profissionais e tudo mais. Ninguém é obrigado tolerar o mau-humor do outro e/ou se sujeitar aos seus disparates.

Do mental: (Limpeza mental) — Sabemos dos efeitos maléficos que os pensamentos negativos criam a nossa psique, tais como: pessimismo; violência; egoísmo; inferioridade, ódio, mágoas. Quase todos conhecemos alguém que adora acompanhar tragédias: como assistir notícias de violência; ver vídeos de cenas de tragédias; ter por hábito acompanhar noticiários policiais e afins; ouvir e/ou fazer fofocas; criticar e/ou julgar a vida de outras pessoas, etc. Quando se trata de falar mau de outras pessoas, existem verdadeiros arsenais de informações neste sentido: (programas, youtuber, ‘blogs’, grupos, etc.), sempre propagando muita maldade e tendo como base o egoísmo e os preconceitos.    

Reconexão espiritual: (Menos religiosidade e mais espiritualidade). Por vezes passamos tanto tempo nos dedicando a doutrinas religiosas e nos esquecemos que não são os fins, mas, apenas, talvez, o meio para consecução da verdadeira espiritualidade. Acredito que todos conhecemos pessoas “religiosas” que cometem atrocidades imorais e maldades psíquicas ao imporem suas crenças aos outros.  Fato é, que indivíduos muito religiosos, demonstram mais preconceito sobre aqueles que não comungam da mesma fé, daqueles que não professam religião alguma. A espiritualidade, é muito íntima e, é quase impossível de se aprender muito sobre ela, só acreditando, porque precisa, na verdade de envolvimento genuíno. É muito comum as pessoas confundirem espiritualidade com a prática de regras morais, talvez porque isso seja a parte mais misteriosa da nossa existência, pois, os nossos sentidos não a percebem.

Por fim, como artesão de si mesmo, devemos manter: corpo, mente e espirito saudáveis, porque dessa conjunção é que dependerá as nossas melhores escolhas e o bom uso de nossas faculdades, como nosso livre arbítrio. Ser construtor de si, em suma, significa trabalhar continuamente na própria existência, mesmo sabendo que nunca estaremos prontos, acabados. Mas, ao menos, mostraremos ao mundo a melhor versão de nós, continuamente.

REFLEXÃO: É DIFÍCIL ENCONTRAR O CAMINHO, SE OPTAR POR ANDAR NO ESCURO.

Desde criança aprendi que o bem e o mal existem e fui ensinado a optar pelo caminho do bem. Aprendi nesta jornada, que o caminho pode até parecer até insólito, entretanto, é por conta disso que você perceberá que está no rumo correto.

Porquanto, não foi através da religiosidade que compreendi o conceito moral, mas pela prática do empirismo, da minha vivência vigilante por décadas. Hoje quando penso nisso, vem a mente aquela canção dos Engenheiros Hawai: “Um dia me disseram / Que as nuvens não eram de algodão / Um dia me disseram / Que os ventos às vezes erram a direção / E tudo ficou tão claro / Um intervalo na escuridão / Uma estrela de brilho raro / Um disparo para um coração…”.

Ademais, gosto da metáfora de (luz x escuridão) para representar as nossas escolhas no caminho da evolução. Entretanto, me foi explicado de maneira tão diversa a que hoje percebo como ideal, ou seja, a maneira capaz de efetivamente me conduzir ao rumo da boa moral. Qual seja? — minha evolução espiritual.

Julgo, porém, que a racionalidade que por muito tempo ajudou o homem se livrar do fanatismo e da crendice, o mundo da escuridão, por outro lado, também produziu em nos ceticismo absurdo, que quase nos cegou novamente, impedindo a nossa evolução em direção à luz perene da verdade.

Por fim, como quase tudo neste mundo não é absoluto, pois graças à capacidade da centelha divina que existe em cada um dos nós. Que muitos seremos despertos por ela e a através do autoconhecimento, o conhecimento de si, enxergaremos a estrada estreita da justiça e da verdade, onde muitos só veem escuridão.

O PIOR DA NATUREZA HUMANA.

Na busca do autoconhecimento, descobrimos que os nossos maiores desafios residem bem dentro de nós, apesar de geralmente atribuirmos tudo o que nos desagrade ou cause tristezas e desalentos à ação, ou omissão de outras pessoas. Pois, se determos para refletir sobre isso, certamente, ouviremos expressões como: “tal pessoa foi uma decepção na minha vida”; “fulano é me causou muito mal”; “perdi muito tempo da minha vida com tal pessoa” — a lista é grande, porém, isso não é tudo verdade.

Entretanto, se quisemos gozar de boa saúde e ter paz na alma, devemos reavaliar essas atitudes, sobretudo, frente aos nossos problemas cotidianos, pois, se assim agirmos, resolveríamos os altos índices de “stress”, que ouvimos nas queixas dos aflitos diuturnamente.

Aqui, resguardo-me, afirmando, que nem tudo o que nos decepciona é o responsável ou causador de “depressão”. Pois, essa, é de ordem química. — e afeta uma pequena parcela de pessoas — que pode e deve ser controlada por medicamentos. Simples assim. Contudo, abordamos sobre aquelas primeiras angústias, sobre as quais afirmo, que comumente às terceirizamos, culpando outrem por tudo de errado que nos sucede.

POR QUE AGIMOS ASSIM?

Bem! — Isso tem a ver com a nossa percepção de mundo. — “Vivemos num mundo de tempo e espaço. Consequentemente existe uma separação entre os desejos e a plena felicidade que procuramos”. (Cabalá) —O ser humano possui dois aspectos em sua natureza, a sua alma e o seu ego. O ego é conhecido pela palavra de código “Negatividade”, é o pior aspecto da nossa natureza.

Conquanto, esse, por se tratar de algo que provem de dentro de nos. — repito. — eu quero, eu preciso, eu, eu … — além disso, tem agravante, — porque, culturalmente fomos ensinados a não nos vermos assim, aprendemos que devemos confiar em alguém para que nos salve. Porém, durante o período em que vivermos sob o sol, somos os responsáveis por tudo — (lei da causa e efeito), é patente que podemos escolher: perdoar; mudar; esquecer, assim por diante, e com isso, evitaríamos as maiores decepções.

Portanto, não é saudável e nem eficiente, a nossa mera pretensão de mudar o aspecto da natureza de outras pessoas, tão-somente para atendar à nossa vontade egoísta — assim dito, porque provem do nosso ego, sendo esse, o grande vilão de tudo. ©Elizeu NVL.