IGUALDADE É UM IDEAL DE SOCIEDADE, MAS PODE ADOECER PRÓPRIA A ALMA HUMANA

Foi na idade média que aconteceu o alvorecer do amor romântico, com ele, veio surgiu a cultura da felicidade para todos. No campo da organização social, essa ideia de bem comum, ao que tudo indica, evoluiu para mudanças políticas e influenciou muitas nações, culminando em confrontos de classes sociais, gerando a utopia social de que “todos são iguais”.

Sem dúvida esse fato social foi relevante, e certamente representou uma evolução nas organizações dos estados, por exemplo, impulsionou as revoluções de liberais sob lema da liberdade, igualdade e fraternidade que culminou com as revoluções americana e a francesa no século XVIII.

Entretanto, o preço desses ideais nobres e inovadores da história moderna afetou sobremaneira os indivíduos por gerações. Esses, tem como legado conviver com uma difícil realidade nas relações com o outro, pois, sendo todos iguais, ainda assim, teriam que conviver com o ímpeto da própria subjetividade. É certo, que o tema da igualdade orbita o mundo filosófico, o mundo das ideias, e em sentido stricto, é só mais uma bela abstração.

Resumindo, o sonho da igualdade que se fixou no imaginário popular como uma ideia transformadora: todos os indivíduos da sociedade se tornaram, de instante a outro, sujeitos de direitos isonômicos e com isso nasceu os princípios dos direitos sociais. Na visão do indivíduo comum, tal artifício de que “todos tem o direito de viver a felicidade…” é uma grande utopia.

Passado mais de três séculos dessas revoluções que criaram o governo do povo pelo povo, a meta da igualdade nunca foi atingida. Isto é, a liberdade, igualdade e fraternidade na pós-modernidade ainda não existe. Talvez, isso explique o porquê de sermos acometidos das mais diversas psicopatologias, tais como é a ansiedade e a depressão.

Geração após geração, vemos através das artes igualdade e liberdade sendo cantadas em versos e prosas. E, indivíduos medianos perseguem esses belos ideais aceitando as narrativas de que para termos a igualdade devemos amar o outro. Fato que isso se converteu em crenças dominante e permanente aqui no mundo ocidental.

Então, o indivíduo sujeito deve se abster de conquistar o domínio de si, porque antes deve se submeter em prol da igualdade coletiva. Fato esse, que por si só adoece a própria alma, visto que reprime a própria individualidade, ou seja, aquilo que o torna único.

Não há segredo algum, está no imaginário popular, no inconsciente coletivo, dito por C.G.Jung. Por certo, isso desaguará num mar de frustrações, fazendo paulatinamente vítimas de uma psique inconsciente e coletivamente doente.

Igualdade pode até ser um tema inspirador, bom para agregar indivíduos e manter a ordem em grupos sociais, mas, não faz o mesmo bem para indivíduos fortes de espíritos livres, porque a esses, cabe os custos para consecução da isonomia. Por afinal, a igualdade não é natural, nem mesmo para as espécies das mais insignificantes criaturas.

Assim, se os seres humanos deixam o caminho da individuação, o caminho natural, para seguirem regras sociais que lhes impõem o cerceamento da individualidade em nome da sociedade do coletivo. Esses árbitros dessa coletividade lhes imporão injustiças de toda sorte na tentativa de obter a dita igualdade. Ademais, pessoas comuns, pensam na igualdade como sendo dogmas, quando, na verdade, essas crenças da igualdade são fontes de muitas frustrações, que culminam no grande stress da dita pós-modernidade.

Sigmund Freud no final do século XIX, que em muitos aspectos se inspirou na teoria de Darwin, principalmente, ao se afastar da teologia para explicar a evolução humana. Fato é que a teoria freudiana foi revolucionaria, porque quebrou tabus do indivíduo e da coletividade, causando desentranhamento do tecido social, pelo menos, é que se vê no mundo ocidental.

O novo paradigma desvelado por Freud, em sua teoria do inconsciente, diz: que o indivíduo é antes de tudo sujeito de desejo desde tenra idade, e que o desenvolvimento da sua personalidade é forjada pela experiência nessa fases inicial e que vão além das meras escolha da razão.  Então, se seus desejos forem socialmente repreensíveis, esses também o serão insuportáveis pelo EGO, findando por reprimi-los ao nível inconsciente e dando origens as psicopatologias.

Por fim, moldando a personalidade do indivíduo segundo a teoria psicossexual freudiana, ela é ímpar e tem influências próprias da sexualidade. Contextualizado, a ideia de igualdade que se tornou princípios no mundo ocidental é incompatível com o desenvolvimento humano. Isto porque, se o desejo do indivíduo é reprimido em prol do outro ou da sociedade, se vê tolhido na sua individualidade, resultando em adoecimento da própria alma.

INTUIÇÃO, A MELHOR MENSAGEIRA DO UNIVERSO

Você é único! Isso diz do ser: um espírito imortal. Mas, por que é tão difícil compreender o que isso significa? Ou como e porque isso importa para a nossa vida?

Quem nunca se questionou pelo menos uma vez das verdades que nos foi ensinado acreditar? — “não devo nem pensar nisso, que absurdo!” disse o sujeito sem individuação, que necessita da aprovação.

Talvez todos tenhamos momentos de desalento e de dúvidas frente ao inexorável processo chamado vida, é nesses instantes nos quais os questionamentos ocorrem, por vezes, até pensamos ser “coisa da nossa cabeça” e não tendo nenhuma conexão com a realidade, porém é um equívoco.

Quando as nossas crenças contra atacam e tentam nos desviar o olhar de dentro de nós, e nossa consciência racional diz: deixe isso para lá… “Isso deve ser só coisa da sua cabeça, — imagine se fosse VERDADE?” Mas, sempre haverá um novo belo dia de sol, aquela madrugada solitária ou um entardecer deslumbrante em que se decide dar crédito a própria intuição.

O que você acha que poderia acontecer com a sua visão de mundo diante disso? — bem, o que vou lhes dizer é resultado de experiência própria. 

Se você der atenção pelo menos para uma das suas intuições, a sua vida nunca mais será a mesma. Tudo ocorre tão instantaneamente afetando o sua visão de mundo, não precisa muita ou nenhuma ação, basta que você escolha e se perceberá diferente no instante seguinte.

Qual a importância disso para a própria realidade? — vou lhes dizer qual e simultaneamente o porquê vale a pena ouvir a si mesmo.

Vale destacar que há exceções: muitos sujeitos sequer conseguem agir como indivíduos, porque se encontram robotizado pelo meio social e pelas crenças que lhes incutiram até os ossos.  Mas, se você estiver aberto e quiser colocar alguns “SEs” antes de afirmar suas convicções, crenças e verdades.

Em primeiro lugar, é fundamental se ouvir, porque tudo ocorre como um diálogo entre o seu coração com à sua alma. Asseguro que quem mergulha para dentro (acorda), e se encarar seus medos e olhar, mesmo que por instantes, para dentro do abismo que existe dentro de si, vai se surpreender.

Depois, só uma advertência: você terá sensação de desapego como se se desligasse da realidade circundante e mergulhasse num mundo novo. Mundo, onde as coisas que até então você via como defeito de caráter, falhas abomináveis nos outros, se percebe agora como parte de sua personalidade.

Porquanto, não é a realidade do mundo que mudou, é apenas a sua visão de como você se via ser colocado em dúvida.  É desafiador e perturbador olhar para aquilo que antes lhe parecia errado, feio e até indecente, mas você percebe ser parte do que você é.

Por fim, a intuição é a mensageira da verdade do ser enquanto espirito imortal que somos. Se estivermos atentos e aptos a crescer, por certo damos ouvidos as vozes que ressoam desde o inconsciente, mas que estão em sintonia com nosso coração, por vezes, devamos ir até contra a racionalidade consciente.

AUTORREALIZAÇÃO: O QUE É O SUCESSO PLENO?

Existe a verdade e as coisas que pensamos ser as certas, tudo é uma questão de escolha —, e cada gesto nosso é que denota o quanto anda o nosso nível de consciência moral.

Visto que ao nos questionarmos, por exemplo, sobre o sucesso pessoal, há atitudes que deve assertivamente nos impactar em primeiro lugar.

A começar pelo questionamento: O que existe de mais importante numa autorrealização?

Inicialmente, podemos escolher atingir determinado patamar em qualquer área das nossas vidas, como vencer e obter o sucesso, mas julgo impossível fazê-lo apenas percorrendo o caminho mais rápido. Depois, que perseguir metas é importante, mais ainda o é, não perdermos o foco com relação ao caminho da nossa evolução como ser humano.

Quantas vezes nos obstáculos (experiências indesejáveis) mudamos e perdemos o rumo?

Além disso, superar metas são importantes, mas a maneira com que reagimos as nossas decepções e dores, por vezes podem nos fazer esquecer o que somos e não observar aos propósitos verdadeiros que nos elevam moralmente.

Por isso, nem sempre vencer a batalha não significa “ganhar a guerra”! Essa, deve ocorrer se atingirmos segundo ideais elevados.

Podemos escolher e ser vitoriosos, mas o resultado de tal conquista envolve superar tropeços e intempéries ao longo do caminho, visto que isso, também fazem parte integral do processo da autorrealização.

Ao ponto que invariavelmente quando erramos, essas falhas nos servem para ajustar as metas, o rumo, porque é fundamental que aprendamos com as nossas falhas.

Quantas vezes à primeira vista parece que nunca conseguiremos, mas se dermos razão a isso acabamos por desviar do objetivo. O objetivo nunca deve mudar ao longo da jornada somente as metas mudam.

A verdade diz que o sucesso que sobrevier será perfeito se observarmos determinados códigos (procedimentos), os quais, nortearão nossas metas do nosso bom agir no rumo dos objetivos almejados.

Tais procedimentos, dizem a maneira com que as nossas conquistas reverberar naqueles que estão em nosso entorno, pois, é isso o melhor guia do proceder correto que conduzem as nossas realizações ao próximo nível.

Como indivíduo, por vezes pensamos que sabemos muito, mas é nisso que mais nos enganamos, porque aqueles que julgam saber tudo se perdem pelo caminho da racionalização pura. Penso, que tudo é uma questão de escolha, sobretudo, a maneira que nos interpretamos a cada estágio da vida da nossa evolução moral.

Pois, desde o momento em que lançarmos em qualquer empreitada, devemos ter em mente que tão importante quando saber o destino, é necessário analisar o que cada experiência fez ao nosso bem agir para com o outro. Disso que depende a nossa autorrealização.

Muito já foi dito, que somos almas vivendo que como seres que somos, e que a vida é uma jornada com propósitos (objetivos). Por isso, tanto maior é aquilo que almejamos, tanto maior deve ser a experiência que nos transforme numa melhor versão de nós mesmos.

Aprendi de maneira muito peculiar buscar entender o propósito por trás de cada vitória, de cada sucesso. Às vezes até quando falhamos, e aparentemente não conseguimos tudo que almejamos, vale pela experiência vivida.

Ademais, nunca esqueçamos de que não vivemos sozinhos neste mundo, e o que fazemos com as nossas escolhas durante o processo, são tão importantes quando as próprias vitórias.

Compreendi que existem essas leis (instruções) que estão latentes em todos nossos atos frente a verdade universal. Que, seja qual for o nosso objetivo é preciso, termos em mente a maneira com que nos comportamos em cada conquista. Por exemplo, o bem proceder, que deve nortear sempre as nossas ações, assim como, as lições aprendidas no curso das nossas vidas.

Cada ação que realizamos deve servir para edificar as nossas relações segundo regras morais elevadas, porque é fundamental impactar positivamente a vida de outros também.

Por isso, que o nosso sucesso em nada adiantará se não edificarmos a vida de outrem. Será um saber inócuo ou apenas prazer, e esse, não edifica nada.

Portanto, cada conquista deve ser seguida de uma edificação moral nobre, tais como (justiça, bondade e fraternidade), é agora que tomamos a posse de fato das nossas vitórias/conquistas. O que significa dizer, que devemos ir além das nossas meras satisfações pelo sucesso. O sucesso pode até ser tudo, desde que se considere o aprendizado e a qualidade das vitórias, sobretudo, na relação como outro e o com mundo circundante.

REFLEXÃO: PORQUE O INSUCESSO TE AFETA TANTO

Deve mesmo haver mesmo, parafraseando Shakespeare, muita coisa entre o céu e à terra além do que pensa nossa vã filosofia. Pois, quando mais se tenta a compreender a existência, tanto mais, é surpreendido por eventos imprevisíveis.

Há tantas coisas que empreendemos visando obter resultado x ou y, no entanto, somos surpreendidos por imprevistos e falhamos.

Então! Será que existe alguma maneira mais eficaz para investirmos as nossas energias e não sermos surpreendidos quando sobrevierem os piores resultados?

Sigmund Freud disse certa vez, que existe no mínimo três atividades as quais é impossível se chegar a um resultado satisfatório, o mestre da psicanálise se referia a educar, governar e curar.

Contudo, quantas vezes tais ocupações perpassam as nossas vidas em breve espaço de tempo —, quem poderá dizer que nunca se decepcionou tentando ensinar alguém? ou, quando administramos as próprias coisas? ou ainda, nas tentativas de se obter a cura de algum mal?

Seja como for, é fato que ao empreendermos as mais diversas atividades, e sobre as quais, criamos muitas expectativas, mas isso não garante êxito.

Porque na medida que nos tornamos mais assertivos frente as causas de algo que nos afligem, deveríamos, antes, ter uma convicção em mente, qual seja? Que a possibilidade de nos decepcionarmos é mais evidente que a dada resolução satisfatória propriamente dita!

Tinha um colega no trabalho, um sujeito estranho, mas se encarregava das piores missões da empresa, e ao assumir dado compromisso penoso dizia: você deve se lançar para resolver algo tendo em mente uma certeza (a coisa pode dar errado). Dizia isso de maneira bem assertiva, porque essa era a sua única certeza. Justificava sempre, que seja qual fosse o outro resultado que ocorresse isso seria lucro, o sucesso.

Se pensarmos um pouco, meu colega tinha uma maneira até positiva de observar as coisas, isto é, não criar expectativas otimistas e simplesmente encarar. E, seja o que sobrevier, aceitar sem drama, ou seja, o resultado se deve receber com bom ânimo, porque seja o que for que se almeja, ele nem sempre dependerá somente do próprio esforço.

Portanto, o insucesso te aflige tanto é devido à maneira de encarar a vida. Esforçar-se é necessário, é óbvio, mas sem muita ansiedade/‘stress’. Comece com uma sugestão saudável: nunca se deixar levar pelo modismo ala coach, “Se pensar positivo conseguirá, blá, blá, blá… Parafraseando Mario Puzo, no livro poderoso chefão, “na vida é o que é”.  E, se falhar recomesse, recomesse, recomesse…

REFLEXÃO: O SUCESSO É UMA DÁDIVA OU DEPENDE DA FORÇA MENTAL?

 

Desde os primórdios da vida humana no planeta em que temos registros segundo os livros sagradas de diferentes culturas, contam que os bem sucedidos são aqueles abençoados pelos Deuses.

Entretanto, os devido os afortunados representarem uma pequena parcela dentre as populações, o que nos leva a questionar: será que o sucesso é mesmo um designo e oriundos de crenças ou de escolhas?

Essa breve reflexão é uma investigação empírica: uma autoanálise, e uma constatação oriundo da nossa própria consciência quando nos questionamos: será que o sucesso e a completude é uma dádiva ou é uma mera questão de força mental?

Inicialmente, devemos responder cinco questões elementares para empreender a nossa jornada do autoconhecimento: 

Quando é que se descobre que está pronto enfrentar os desafios da vida? —, é óbvio que varia muito de pessoa para pessoa, mas há duas condições que se atendida nos darão as pistas, ou seja, é a partir desse momento em que você descobre, que: 1) não precisa de muita coisa para viver —, a etiqueta social não é prioridade na sua vida e; 2) consegue conviver bem consigo mesmo —, não precisa de julgamento ou de aprovação social, porque a sua própria opinião é que importa.

Como você sabe se vai conseguir? Você constata que viver bem é uma questão muito subjetiva, porque afinal tudo é uma questão do seu olhar para a vida e independe da opinião do outro.

O que é autorrealizações? Aqui é preciso estabelecer um objetivo, uma meta que não seja idealizada e convencionada pelo outro. Todos sabemos que dentro de uma família, por exemplo, existem concepções de mundo muito diferentes entre seus membros, sendo o bom para um não será o mesmo para outro. Por isso, ao estabelecer um objetivo leve em conta o seu bem viver. Muito cuidado com o ideal de felicidade segundo o senso popular.

Onde começa a jornada? É interessante pensar numa localização, porque vivemos no mundo dos sentidos, mas não é disso que se trata, porque é uma busca no interior do ser: especificamente na nossa psique, ou seja, na nossa alma.

Porque autorrealização é relevante para nossa vida? Porque é isso diz o que somos —, é uma questão da nossa própria consciência, da nossa concepção de existência. Tanto que é quase impossível nos realizarmos plenamente se nos enquadrarmos num modelo do outro, porque afinal de contas, somos indivíduos! Essa, é a qualidade que pressupõe que os parâmetros ditados pelo outro nem sempre serão os mesmos que os nossos.

Portanto, a FORÇA MENTAL, ou seja, a maturidade da psique é fundamental para o sucesso pessoal em qualquer área da nossa vida —, porque é de onde vem a nossa persistência, porém, persistir não é tudo. Se formos eleger um ponto central da AUTORREALIZAÇÃO constataremos ser esse o destinatário dos nossos esforços (para QUEM). Se a resposta não for (100%) para si mesmo, pouco importa o resultado, visto que seja pelo sucesso ou pelo fracasso em breve lhes sobrevirá a frustração pessoal.

PORQUE É IMPORTANTE DESCOBRIR QUEM SOMOS

Desde tempos imemoriais na história da humanidade, que nem sequer podemos rastrear, é fato que houve sempre o interesse pela compreensão dos nossos comportamentos e desejos: (porque somos como somos, tão diferentes de outros?).

Nas questões como: porque meu irmão age tão diferente de mim. Porque não sou igual meu pai, mãe… —, talvez eu seja a ovelha negra da família… — porque sou estranho no ninho? — pode ser que você nunca tenha pensado nisso, mas é fácil de se constatar: (Você difere mesmo dos seus mais íntimos parentes).

Então, porque somos assim —, diferentes? — Isso vale a nossa reflexão de hoje.

Em muitas culturas ao redor do globo, é possível verificar os adágios populares: “filho de peixe peixinho é” e “pau que nasce torto nunca endireita, etc.” são uma grande balela.

Então, por onde começar a busca para compreender esse (mistério)? — Penso, que o melhor laboratório para encontrar respostas para essa questão é conhecer a nossa própria existência, a vida cotidiana.

Primeiramente, devemos nos despir de preconceitos e aceitar que existe algo em cada um que nós, que nos diferencia dos demais. — Cada ser, é um indivíduo e como tal, temos peculiaridade só nossas, a nossa subjetividade!

Como empirista que sou, e nesta questão, devo contrariar o mestre Piaget.

Somos frutos de uma combinação de fatores inatos (nascemos assim ou assado), soma-se a isso, as questões ambientais e nossa interação social. É dito que sofremos muitas influências de fatores externos que nos são alheios, ou seja, temos a nossa vontade livre, mas antes de tudo, somos seres como enorme carga subjetiva que até hoje não podemos dizer com clareza o porquê disso.

Na visão da psique humana, a ciência não tem todas as respostas, mas, podemos ao menos especular o motivo pelo qual diferimos se trata de uma constante da condição humana, a nossa individuação. Somos seres únicos.

E, porque isso é importante? —, ora, embora a psicologia moderna possa atestar que temos aptidões x ou y, mas isso não responde quem de fato somos.

Certa vez estava ouvindo uma jovem culta falar de si mesma e disse de maneira enfática sobre o seu comportamento, “que tinha sua maneira de (constatar) o mundo, seu modo de ser”.

A questão deve ser respondida ao longo da própria existência pela busca do autoconhecimento. Você pode ser filho de alguém que age assim ou assado e ter adquirido erudição, mas isso, não é suficiente para dizer muito só si mesmo.

Portanto, a responder à questão (somos quem somos) é essencial porque a partir dela poderemos descobrir um sentido para própria existência e conquistar assim a satisfação plena nesta existência.

REFLEXÃO: QUANDO “A FICHA CAI”

Quem nunca procrastinou, deixou aquele projeto (sonho) para depois? Atire a primeira pedra quem nunca arrumou uma desculpa “incrível” para justificar a própria inércia para sua verdadeira vocação? Ou ainda, quem nunca sentiu medo/insegurança na hora de começar algo novo?

Seja como for, acredito que ninguém está imune a isso, isto é, de negar honestamente as questões acima.

Então! Vale a nossa reflexão de hoje: quando a nossa “ficha cai” e nos damos conta de que não estamos sendo bons para nós mesmos, agindo daquela maneira —, deixando tudo para o futuro. E, isso é fácil constatar, pois, é certo que nunca realizaremos nossos sonhos.

Se de um lado, ter medo do desconhecido faz parte da nossa psique. Porém, se passaram milhares de anos da vida nas cavernas e savanas e ocorreram evoluções de toda ordem: trabalho, econômica, social, etc., por outro lado, aquele medo que nos protegeu dos predadores na antiguidade nos perseguem e só mudamos/elegemos novos inimigos.

Quando a ficha cai, é quando constamos que deveríamos ser mais racionais em todos os sentidos das nossas vidas, não somente nas questões de segurança financeira e status social. Devemos olhar para quem realmente somos e para aquilo que nos proporcione realização pessoal.

Portanto, se sua ficha ainda não caiu, cuidado! — você pode representar apenas um número na enorme parcela de indivíduos da tribo que busca a “felicidade em ter em detrimento do ser”. Por isso, aja racionalmente, mas considere ser complexo que és, e necessita não só de segurança, mas, sobretudo, de autorrealizações. A felicidade está nas pequenas coisas, nos breves momentos de satisfação e o fim é a inexorável morte, sendo essa, única certeza dessa vida.

IDENTIDADE, QUEM É VOCÊ?

Quando crescer quero ser igual a fulano, sicrano… Quem nunca, disse algo parecido por diversas vezes na sua vida? Quem nunca pensou que para ser (feliz) precisará ter isso ou aquilo, conquistar o afeto de determinada pessoa, etc.? Aquele ainda, que poderá dizer com certeza, que nunca agiu de determinada maneira só para ser incluído como parte de algo maior, mesmo contra suas aspirações?

Fato é, que durante nosso desenvolvimento como individuo invariavelmente aprendemos a nos portar como peça de uma máquina (maior), apenas, como uma pequenina engrenagem no grande sistema social, etc.

Por isso, o caminho da descoberta do (ser), como indivíduo, é árduo e quase não se aprende nada sobre isso na escola. Em geral, somos desestimulados até pelos nossos pais, tutores, a enveredarmos para tal busca. Vemos isso, nos tradicionais conselhos sobre a vida adulta: “o que uma (pessoa) precisa e ter é uma ocupação para ganhar o próprio dinheiro; constituir família; respeitar as leis; ter uma religião, etc.”.

Ocorre que para alguns de nós, nos quais me incluo, desde tenra idade percebeu que isso não é certeza de realização pessoal, ou seja, perseguir à ideia modelo: “pertencer a algo maior”, pertencer ao bando x ou y, em última instância, para individuação, não significa absolutamente nada e muito menos para própria autorrealização.

Portanto, o caminho a ser trilhado como ser social é apenas parte externa do processo de desenvolvimento do indivíduo. Diga de passagem, essa é a menor parte, porque a maior parte do (compreender a vida)  é conhecer a si mesmo. A busca pela individuação, responder seus próprios questionamentos e evitar ao máximo o pertencer em detrimento do ser.

Quem sou, para que estou aqui…

“A vida como ela é” (Nelson Rodrigues), penso que resume bem o desalento para justificar desencantos e decepções, isto é, um vazio existencial. Basta uma breve introspecção para se perceber que a vida não é bem assim. E, que talvez, seja é uma questão básica de autoconhecimento.

Quem nunca sonhou obter as respostas para vazios interiores, decepções, depressões, desilusões com a vida, etc.? Quem nunca desejou ter uma vida plena? Quem ainda, nunca pensou que talvez a felicidade seja utopia? — seja como for, isto é, a sua visão de realidade, vale a pena uma breve reflexão.

Segundo ótica contemporânea da sociedade consumerista em que vivemos, é presumível ser poucos os interessados por questões existenciais, sobretudo, para indivíduos que acreditam que ao suprirem seus desejos experimentam a plenitude de suas vidas. Porém, enganam a si mesmos com tais ilusões, não é disso que se trata a plenitude da existência.

Como dizia o Jack: “Vamos por parte”. Antes de buscarmos métodos ou técnicas para realização existencial, devemos identificar o ponto-chave (essencial), para essa compreensão: — isto é, responder à questão primeira: “quem somos?”

Um fato muito comum, ao tentar responder à questão (quem sou), é o uso de rótulos (títulos): sociais, culturais, intelectuais, etc., mas, quando, na verdade, não é disso se que trata. O ser (da questão) provem do seu íntimo, muito além da sua formação, das suas posses ou do poder que detém.  

Portanto, quando conseguirmos responder com honestidade quem somos, certamente isso nos levará a próxima e importante questão, “para que estou aqui, para que existo”? — a consciência de si, é o primeiro passo para compreensão de como preencher o vazio existencial.

REFLEXÃO: UM DOS MAIORES DESAFIOS HUMANO

Quando se busca algo por algum tempo (seguindo as próprias aspirações) e mesmo que aparentemente a empreitada seja frustrada, é certo, que nós nos conhecemos cada vez mais.

Invariavelmente são dos nossos erros que tiramos as melhores lições na vida, por exemplo, nos relacionamentos humanos.

Ao compreender o outro, aprendemos o quão somos complexos. E, isso só é possível se conhecermos as ‘nuances’ do indivíduo, observando sua persona e seu comportamento. Fato é, que tais entendimentos são fundamentais para estabelecer saudáveis conexões humanas.

Particularmente, a visão do outro, me inspira e motiva continuamente. Seja na vida pessoal pelo autoconhecimento, ou profissional pela aquisição de ‘expertise’, e isso me permite ter muitas oportunidades e obter as maiores conquistas.

Ademais, queiramos ou não, o processo de individualização é o que nos tornam únicos (indivíduos) e isso, determina quem somos (a nossa subjetividade) — com a capacidade de escolhas consciente, agir, relacionarmos com o outro, etc.

Portanto, identificar em nós e no outro, características como: iniciativa, empatia, criatividade, resiliência, sonhos e ambições, são fundamentais porque repercutem diretamente na maneira como as conexões humanas são feitas.

Quando nós encaminhamos para a primeira metade do século XXI, penso que seja esse um dos maiores desafios contemporâneo: como respeitar a subjetividade do indivíduo frente a (hiper) conectividade de diferentes culturas e costumes. 

Por fim, é razoável deduzir os nossos desafios na atualidade é a interatividade humana, sobremaneira, quando baseadas em algoritmos de (IA), porém, nunca nos esquecendo que tudo foi criado para facilitar a vida dos indivíduos e não para suprimir a soberania da própria individualidade.