REFLEXÃO: FALTA DE TEMPO TRAZ INFELICIDADE

Com relativa frequência dizemos que estamos sem tempo. O que é uma ideia muito contraditora, não? Ao que parece, na sociedade atual tudo se resume em ter, possuir. Vemos pessoas agindo como se pudessem possuir o tempo.

E, o mais grave dessa ilusão de ter, é que nunca encontramos tempo para nós, por exemplo, para fazer uma reflexão da nossa existência, sobre nós mesmo. Disse o professor Luís Mauro Sá Martino: “na sociedade atual, não temos mais tempo para o afeto”, para aquilo que nos afeta e ao outro das nossas relações.  

Embora, saibamos que a falta de tempo não é em decorrência do planeta girar mais rápido, nada disso, mas, porque vivemos o dia-a-dia muito conectado a assuntos banais (fofoca, julgamento do outro, curiosidades infantis, reality show, redes sociais, etc.).

Isso tudo, sim, é uma perda de tempo. Porquanto, enquanto seres dotados de alma, precisamos de relacionamentos saudáveis, e para isso, devemos investir tempo: em nós e no outro. Administrar nosso dia-a-dia com maestria.

Já a felicidade, depende da contemplação, e isso, exige no mínimo tempo: para nos deter e observar o mundo que os cerca e a nós mesmos. Isto é, para conhecer a nós mesmo: o nosso interior, nossa psique através de reflexões. Depois, é necessário também, afetar (sentir afeto): sentir e interagir com as outras pessoas.

Por fim, num dia (24 horas), das quais (8 horas), são reservadas para repouso, descanso, então, deveríamos fazer o melhor uso do tempo, evitando perder muitos momentos com mediocridades, banalidades, futilidades, porque nisso, certamente felicidade não há.

REFLEXÃO: O INIMIGO INTIMO

Sentir alguma ansiedade frente ao desconhecido é normal e natural. Foi graças a esse dispositivo de alerta que os ancestrais das cavernas conseguiram sobreviver aos predadores. Mas, em nossos tempos, se a ansiedade for decorrente da expectativa sobre o novo, o inevitável, e se, procrastinar ao invés compreender, criará monstros interiores que gerarão medo estressante.

O medo, dado a sua intensidade aprisiona e cega o discernimento. Ocorre uma espécie de prisão dentro si que limita a consciência e afeta o livre arbítrio: desde as escolhas básicas do cotidiano. Os efeitos do medo sobre a psique do indivíduo são sem medidas, porque afeta totalmente o seu modo de agir.

Há ainda, outros fatores associados ao medo, como o descontrole emocional, que invariavelmente decorrem daquilo que se desconhece, ou não se quer aceitar. Fato é, que os indivíduos envoltos pelo medo, acabam enfrentando inúmeros problemas: seja no ambiente familiar, relações sociais e no trabalho. Onde, a regra fundamental é serenidade e o autocontrole.

Então, o que fazer para domar esse monstro que vive dentro de cada um?

— Especialistas na área da psique humana, chamam essa qualidade (autocontrole) de inteligência emocional. Por isso, antes de qualquer coisa se deve precaver, encarando os temores do desconhecido de modo bem racional, porquê se não se fizer nada a respeito será levado a agir de maneira bem diversa a própria vontade.

Entretanto, à primeira vista parece simples e até sugira que tudo depende de racionalização, mas se deve ter em mente que a razão raramente consegue responder mais rápido e tão prontamente como as emoções.

Soma-se a isso, o fato é de que são as emoções que operam o sistema de escolhas, e são a partir delas que se externa as intenções reais. Que são prontamente reveladas pela linguagem não verbal, conforme brilhante pesquisa de (Weil, Pierre): “o corpo fala”

Por fim, há inúmeras maneiras, cuidados, que se pode adotar para evitar cair num círculo vicioso de insegurança, perda de controle, medo. E, a melhor delas é trabalhar o sistema emocional: ressignificando valores e crenças, sobretudo, com boas doses de empatia.

REFLEXÃO: O DESPERTAR DE SI É IMPORTANTE!

Uma certeza que temos na vida que conhecemos, é que ela é finita. Que todos um dia morreremos! Embora, muitos de nós não compreendamos o processo chamado vida, não muda que ao morrermos remanescerá as nossas experiências armazenadas, seja lá onde queiramos denominar: consciência, alma, espirito.

Por isso, só o conhecimento de si, o autoconhecimento, propicia “a descoberta do uno na diversidade”, (Joseph Campbell). E, para compreender os mistérios que envolvem a existência: o ciclo da vida, necessitamos saber sobre a nossa essência. Mas no caminho do entendimento encontraremos muitas contradições naquilo que nos foi apresentado como verdade.

Vemos, por exemplo, nas principais vertentes desses conhecimentos, as religiões ocidentais, onde em suas teologias em síntese é dito, sobre: (a vida e o castigo eterno, a hora do julgamento, um momento da salvação, etc.), mas não explicam aquilo que é substancial sobre nós: (quem somos), tornando tais ensinamentos ainda mais confusos.

Diante disso, ao que tudo indica, penso que poderemos encontrar as melhores respostas em nós mesmos, independentemente de dogmas e crenças, isto é. iniciando a busca a partir da simples análise desse princípio: somos indivíduos únicos. Fato comprovado e incontroverso, por exemplo, mesmo dentro de uma família há peculiaridades distintas: (modo de pensar, aspirações, sonhos, motivações, etc.) dentre cada um de seus membros.

Assim, contextualizando, cada indivíduo tem alma, isto é, um espirito imortal, querendo ou não. E, essa parte de nós é dotada de atributos: sutil e simultaneamente poderoso, — como energia vital para o nosso corpo físico e controlador das nossas emoções e sentimentos.

Fato esse, que nos faz seres únicos: a nossa essência é revelada na existência (vida), ou seja, sendo a pessoa que de fato somos, independente de outras influências, como:  origem genética, decorrente da intelectualidade; meio social; crenças; ou qualquer condição na qual estejamos inseridos. Portanto, é verificável os porquês de agirmos de maneira extraordinária, peculiar, frente às mais diferentes situações, e que costumamos dizer: “agi assim seguindo meu coração”.

Conhecer a si mesmo é fundamental para compreender o elementar numa existência: o propósito, o motivo, pelo qual se vive agora e neste plano terrestre. Pode ser reconfortante ter consciência disso, melhor ainda é para compreender a complexidade da vida, pois, basta imaginar o quanto a sua essência já vivenciou em outras oportunidades, e continua experimentando.

Portanto, a dor não deve ser rejeitada, assim como, os momentos de felicidade devem ser plenamente vividos, sempre no aqui e agora.

Reflexão: problemas, conflitos e aflições

É uma imprudência se deixar levar criando muitas expectativas, pois isso, é um atalho para problemas. São verdadeiras fontes de aflições que nos levam a momentos estressantes: desde aqueles simples e comuns do dia-a-dia até os mais complexos, como, por exemplo, conflitos em relacionamentos.

Para ser franco, desconheço uma receita infalível para isso, tal como uma receita de bolo, porque a depender do seu grau de discernimento um simples problema doméstico se assemelha a um ‘tsunami’. Entretanto, existe algo simples que podemos adotar capaz de apontar ao menos o caminho, para uma vida melhor, a tão desejada paz de espírito.

Embora, muitas pessoas busquem soluções em (religiões, gurus, medicamentos, drogas, etc.) na esperança de encontrar o elixir da felicidade, mas a experiência me ensinou que tudo que é externo de nós, não é eficaz, apenas atenua o estresse e seu resultado não é duradouro.

Para compreender isso, basta analisar um pouco, se: usar remédios todos sabemos que seus efeitos passam, assim como acontece com drogas e bebidas; ouvir as pregações (as palavras) dos religiosos, elas se esvaem bem antes do próximo culto/missa; buscar conselhos de um guru até impactam por momentos, mas são como dieta —, se mal observada, é inútil.

Sempre que buscar por soluções perenes para conflitos e aflições, não espere que a solução venha de fora de você. Saiba que antes de tudo é um indivíduo, e como tal, é um ser único e nasceu com uma caixa de ferramenta fantástica, que está disponível (100%) do tempo, basta aprender usar, ela é chamada de (autoconhecimento, o conhecimento de si) e acessada pela senha: (questionamento).

Portanto, em situações de conflito ou aflição use as ferramentas, se questionando: QUEM SOU EU? / QUEM SOU EU DE FATO? QUEM SOU EU NO UNIVERSO? — A cada resposta retome a questão, (Por quê?) — Observe: é preciso que descubra quem realmente é, não o que pensa ser.

Por fim, lembre-se DO QUE VOCÊ NÃO É: não é o que o seu diploma diz; não é o valor dos seus bens; não é o que amigos e a sociedade dizem de você; não é por ser membro da família x ou y. — Fato é, que você só ESTÁ aqui temporariamente, porque afinal, você é uma alma imortal única que precisa evoluir continuamente, e isso, depende só de si. Nesta jornada, evoluir, ocorre a partir do seu interior, e isso, requer esforço, disciplina e maturidade.

PAI: APERTO NO PEITO E UMA CONVICÇÃO.

Era noite de lua cheia e a chovia, mas não percebia relâmpagos e nem trovões. Sentado ali, na edícula da casa, olhava para superfície da piscina, a luz do luar na água produzia efeitos de milhares de fractais combinando com o som síncrono da chuva, foi num passe de mágica que minha mente se esvaziou, — como se entrasse num transe: perdi a noção do tempo. Meu corpo ficou inerte: não sentia a brisa úmida da chuva, somente um estado de presença, apenas a minha consciência. Nestes instantes, assisti minha vida como num filme, quando despertei os meus sentidos, o relógio marcava (00h:51m) e foram esses, os primeiros instantes de 25 de março de 2021, prenunciando que algo extraordinário aconteceria naquele dia. 

Lindo e mágico, porém, sei que todo efeito tem sua causa e por muitas vezes pode ser explicado. Para isso, tenho que considerar os eventos que antecederam esse dia: (na manha do dia anterior, num exame de ultrassom, rotina de pré-natal, o médico informou que o bebê não estava bem.) — Nem sei direito o termo médico, mas entendi o significado: o bebê não estava recebendo oxigênio suficiente, e isso, estava afetando o seu desenvolvimento, além, representar riscos para sua vida.

Ignorar os fatos médicos seria impensável e irresponsabilidade, porque prenunciavam consequências severas para a vida do B7, com apenas 31.4 semanas. Bebê número sete —, apelido carinhoso durante a gestação. Analisamos as opções, Deise e Eu, e só havia única alternativa: (cesariana urgente e manter o bebê numa UTINEONTAL). Isso, pode até ser corriqueiro em outros tempos e em outras cidades, mas estamos numa pandemia e vivemos no interior de Rondônia —, onde tal serviço médico está disponível em apenas duas cidades: Ouro Preto do Oeste que a uns 370 km e a na capital Porto Velho, distante 700 km.

Zelo, cuidado, atenção, não importa a motivação de um pai nesses momentos, porque simplesmente a situação exige solução rápida, sem tempos para ‘mimimi’. Talvez, seja oportuno descobrir o ‘coach’ que existe em cada um, para motivar, tranquilizar: transmitir esperança e segurança. Quanto a mãe? Dela depende a maior parte, muito mais do que palavras motivadoras, pois exige determinação e coragem. A mãe leva consigo a maior parte dessa empreitada humana: de gerar uma nova vida, porque, além disso, tem que manter a sua própria, e a psique saudável. Não havia mais tempo a perder, agora é só agir. 

Escolher o quê? — Não havia opções! Só as providências necessárias e urgentes:  os procedimentos de um parto cesáreo com imediato suporte de (uti-neonatal). Vencer a distância num menor lapso de tempo até hospital (São Lucas), representava percorrer uns 370 km de ambulância por rodovia (BR 364 norte), em pleno mês de março —, um desafio de logística:  onde trafegam centenas de veículos de cargas.

Uniformidade no modo de decidir e agir, esse foi o comportamento naqueles momentos de apreensão, — houve sintonia entre nós, pensamos e agimos. Vamos agora: ela com a protuberante barriga entra na ambulância as 15 (h), — dali em diante, é só esperar, aguardar. — fiquei em Vilhena para ir de carro próprio mais tarde. Contudo, monitorei a viagem, desde onde houvesse sinal de ‘internet’ (no trajeto, cruzam por cinco cidades), e fui sendo atualizado pela (B3): a Sarah (a enfermeira) — acompanhou a viagem, porque só tínhamos uma vaga para acompanhante e escolhemos a enfermeira! De que adiantaria um advogado na ambulância?

Jamais imaginávamos que o nascimento do (B7) fosse antecipado, ou mesmo, que precisasse de UTI, porque o seu desenvolvimento foi normal e não houve nenhuma negligência das recomendações médicas. Porém, fato é, que com trinta e uma semana e quatro dias de gestação, ele teria que nascer, com urgência. — Estava pouco ansioso, não é uma situação comum, mas nestes momentos, confesso que sou bem pragmático.

Única coisa sensata a fazer é acatar as recomendações médicas, afinal, é a vida do bebê que está em risco. Fazê-lo nascer antes do tempo e mantê-lo sob cuidados intensivos, foi o recomendado. Nada mais acrescentar, só providenciar os preparativos: roupas, papelada, logística e hospital.

Nem sempre podemos estar no controle da situação, aliás, isso é uma utopia. Aprendi que desde a antiguidade, os sábios nos legaram ensinamentos, dando conta de que nunca estamos de fato controlando todos os eventos e situações nas nossas vidas. Talvez isso, seja um bom argumento para quem vive pela fé, mas quando se nasce e vive no ocidente, onde a cultura é orientada por crenças muito contraditórias e condicionadas, tendo as ideias como: castigo; inferno; maldição, etc. deixa tudo mais muito obscuro e confuso.   

Incoerências a parte, acredito na lei de causa e efeito, também, no que foi dito sobre o ser humano: “somos seres conscientes e isso nos faz parte do cosmos: somos um microcosmos”, portanto, estamos todos sujeitos as leis eternas, imutáveis que vão muito além do tempo e do espaço, como o conhecemos. Há mistérios nesta relação, ou seja, entre a percepção humana não treinada e o complexo universo. Fato é, podemos observar (leis universais) e suas sutilizas, apenas como mensagens do universo e aprender com elas.

Obedecer às leis da natureza é o sensato, e o ideal a fazer. Ter fé, é acreditar como num passo no escuro. Por isso, penso sempre por um viés positivo, sobretudo, quando estou submetido a experiências envolvendo elementos externos, aqueles, que não dependem das minhas faculdades. Mas, escolho observar, ponderar e se preciso for esperar muito, se for o caso, sobremaneira, para evitar cair num espirar de angústia e medo.

Resumindo, as circunstâncias e os pensamentos que me apresentaram naquele dia 25/03/2021, porém, são os fatos que importam: o meu pequeno Júnior nasceu as 16:09h: (prematuro de 31.4 semanas, com 45 cm, peso 1.790 gr) e continua devidamente assistido na (UTI-Neonatal). Vencidas as horas de expectativas e de tensão, penso que tudo mais está quase superado. Foi maravilhoso, vê-lo, mesmo que por instantes quando toquei no seu pequenino pulso direito e senti o calor do seu corpinho e quase sussurrando abençoe: seja bem-vindo meu filho, abençoado sejas, que (O Criador) lhes permitas: saúde, força, coragem e o discernimento para realizar os propósitos da sua existência neste plano.

REFLEXÃO: AS ESCOLHAS QUE FAZEMOS NO COTIDIANO, SÃO DA NOSSA CONSCIÊNCIA DE INDIVÍDUO?

Desde um passado remoto, quando nossos ancestrais escolheram deixar a vida nas cavernas e tudo mais que decorreu a partir dali, (construíram a sociedade e organizaram a vida dos indivíduos como a conhecemos). Seja para o bem ou para o mal, às vezes foi com justiça e outras com injustiças que inúmeras guerras ocorreram, porém, ao final, acordos celebram a paz. Tudo isso, levou a evolução da consciência dos seres.

Fato é, tudo que ocorreu na história da humanidade foi devido aos interesses e através de escolhas puramente humanas, conforme foi escrito, (a civilização humana remonta mais de 12 mil anos), entretanto, foi só neste último século que tudo mudou radicalmente.

Neste século, ao que tudo indica, nasceu a geração de humanos que romperá com os limites da sua individuação, ou seja, da consciência humana, sobremaneira, pela transformação no seu modo de pensar e agir como nunca visto.

Vemos atualmente, que muitas das escolhas dos indivíduos não são puramente humanas, porque são baseadas em decisões de algoritmos, geradas externamente, por exemplo, pela inteligência artificial: (sobre o que consumem, as informações que acessam, seus comportamentos, etc.). Há muitas pessoas decidindo segundo critérios que não lhes são próprios, ou seja, não são da sua consciência.

Por fim, a cada dia, está mais raro encontrar indivíduos se articulando e defendendo ideais humanos nobres, tais como, o da dignidade humana: aquilo que deveriam fazer indistintamente: independente da raça, crença, cor, orientação politica, etc. Penso que se continuar nesse caminho de automatismo da consciência, irão a passos largos para uma ruptura da individuação e se tornando paulatinamente híbridos humanoides com ‘exabyte’ de informação, mas com a consciência humana adormecida.

AUTOCONHECIMENTO: FUTURO PÓS-PANDEMIA, UMA SUGESTÃO DE PRIORIDADE

Minha predileção pelo estudo filosófico e a sua aplicação, na prática, não é segredo, também, a identificação com o empirismo, a vivência prática do saber, com a experimentação. Desde a minha juventude cultivo ideais até utópicos (para um indivíduo mediano), porém, sou orientado e motivado por um desejo quase inconsciente de fazer algo para tornar o mundo melhor. Mas, o tempo passa e os compromissos que todos temos na vida adulta nos compele procrastinar.

Contudo, na manhã de ontem, como sempre faço aos domingos: visito a feira municipal. Único luxo que me permito semanalmente: comer pastel de feira, com os cuidados sanitários, é óbvio. E, ao observar o comportamento das pessoas quando estão motivadas apenas pelo elementar na vida: a sobrevivência e a sociabilidade, é que aprendo muito nesses ambientes.

Nesta reflexão, fui motivado pela minha adorável Deise. Aliás, pelo que ela disse a caminho da feira: “em plena pandemia quando as pessoas estão mais vulneráveis, há indivíduos criminosos se utilizando de ‘posts’ contendo anúncios sobre empregos, ao clicar no ‘banner’ o seu ‘whatsapp’ é clonado, etc.” É, lamentável, esse mau uso da tecnologia.

Enquanto observava as pessoas na feira praticando atividades que remontam tempos imemoriais na história da humanidade, em contraponto, via-se nas mãos delas (‘smartphones’) — que contraste! O velho ofício comercial ancestral (comercio de feira) e a modernidade trazido pela tecnologia. Então, será que a vida do homem está mudando para melhor?  — assertivamente não.

O onde está a raiz do problema? — Se tanto mais tecnologia disponível, maior a sofisticação nos crimes!

Fato é, o ser humano em seu interior, parece que continua com no passado, ou cada vez mais mesquinho, egoísta e ganancioso. As facilidades trazidas pela tecnologia, fez o indivíduo mal-intencionado ampliar o seu potencial de maldade.  — O que poderíamos fazer substancialmente para enfrentar o crime?

Ademais, no dia-a-dia é possível constatarmos que a conduta humana destoa com o progresso da civilização, a evolução do indivíduo (do ser) ao que parece não acompanha o desenvolvimento tecnológico, nem de longe, ou, muito pelo contrário, vai em sentido oposto: quanto mais tecnologia, menor é o senso de civilidade.

Para trazer luz a nossa reflexão, vi uma mensagem da Profa. Lucia Helena: “há dois pilares principais nos quais se assentam o marco civilizatório da humanidade: de um lado o progresso (as coisas que o homem faz: (objetos tecnológicos, o desenvolvimento cientifico sobre toda matéria, a compreensão do universo, etc.), de outro o interior do homem, a edificação do próprio homem (conhecimento de si mesmo, a ética e a moral)”. Neste particular, as religiões, há séculos com suas doutrinas não conseguem cuidar da interior do ser humano.

O problema é que há desnivelamento nestes pilares, há disparidade nesse “frontão civilizatório” — segundo Lucia Helena, “porque vemos mais coisas sendo desenvolvidas pelo homem e menos desenvolvimento do próprio homem”. Portanto, isso nos diz da necessidade de darmos mais atenção para a formação humana, muito além da intelectualidade, sobretudo, com mais valores nobres, tais como: ética e a moral.

Deveríamos ter num pós-pandemia, ao invés de pensarmos só na era da tecnologia, escolher, a desenvolver a era do equilíbrio: entre a formação humana (versos) o desenvolvimento tecnológico.

Pode soar como distopia, mas serve de alerta, porque o grande perigo da civilização atual: é o crescimento exponencial de indivíduos subdesenvolvidos em questões humanas: (moral e ética), fazendo o mau uso de tecnologia de ponta, por exemplo, ao utilizar a IA (inteligência artificial) para cometer crimes. O resultado disso, seria catastrófico. Talvez até precisaremos utilizar meios de coerção social a partir de decisões algorítmicas, ou seja, humanos governados por robôs.

Por fim, na pós-Covid19, o avanço do “marco civilizatório” (Lúcia Helena), deveríamos nos voltar cada mais para o desenvolvimento humano, orientar o indivíduo na busca pelo autoconhecimento, o conhecimento de si e a sua interação com seus iguais. Com mais interações humanas saudáveis, pautados na ética e na moral. Isso independente da sua raça, credo ou poder econômico. Buscar cada vez mais olhar para o interior do indivíduo.

REFLEXÃO: QUE NOS FAZ MELHORES

Disse certa vez o grande Sócrates (o filósofo) quando ainda era uma criança ao acompanhar a sua mãe no ofício de parteira: “O conhecimento está dentro das pessoas (que são capazes de aprender por si mesmas), porém, eu posso ajudar no nascimento deste conhecimento”. Particularmente, sempre me identifiquei com a sabedoria e a humildade daquele sábio, — aliás, a primeira pressupõe a prática da segunda.

A principal vertente da busca pelo saber, deve ser pelo autoconhecimento, sobretudo, porque o entendimento de si e a compreensão daquilo é externo de nós, resumem bem o necessário para atingirmos uma existência útil, com realizações humanas nobres, uma vida profícua e feliz.

Entretanto, devido ao nosso egoísmo, nossos preconceitos e inúmeras fobias que invariavelmente impregnam o centro do nosso sistema de discernimento, afundando cada vez mais numa espécie de emaranhado de conflitos internos.

Esses conflitos, são perceptíveis por qualquer indivíduo, basta tão-somente observar seus diálogos internos e dilemas: (Eu sou fulano! Eu tenho isso, tenho aquilo!; Eu não devo me rebaixar e assumir que errei!; Eu não sou assim como qualquer um! Eu tenho minha fé e eu tenho minha crença! Se agir assim ou assado não serei (aceito) pela família, ou pelos meus amigos, etc.?

Fato é que, pelo mero hábito de utilizarmos tantas vezes pronomes possessivos e um sem número de julgamentos carregados de preconceitos, são indicativos que há erros na maneira como agimos —, seja conosco e/ou com os outros. Contudo, há saídas para mudança de comportamento.

Sendo o propósito de uma existência, a vida plena, isso é, um agir no sentido de se colocar nos eixos da felicidade, existe o caminho reto. Não se trata de utopia, porque é real e está sempre muito próximos de nós, tudo é uma questão de percepção. Ademais, não é nada miraculoso, é cientifico. Pertence ao ramo da filosofia prática e do conhecimento elementar da psique humana: (a compreensão é o domínio si).

Por fim, o que nos faz melhores, está relacionado diretamente ao nosso grau de satisfação com a vida, medida proporcional do quanto conhecemos de nós mesmos. Isso vai muito além das meras convenções sociais, daquilo que outros pensam sobre nós. Mas sim do nosso grau de entendimento: (até que ponto estamos dispostos a descer na toca do coelho da compreensão?)

REFLEXÃO: O PODER QUE EXISTE EM NÓS

Sempre ouvimos que a mente humana é a maior geradora de ilusões. Segundo a neurociência, temos cerca de (50.000) sinapse, pensamentos, num único dia. São muitos não acham? — Se refletirmos um pouco e, levando-se em conta a quantidade de atividades que fazemos no dia-a-dia no modo automático, parece fazer todo sentido, por exemplo: ao dirigirmos um veículo ou ao interagirmos com pessoas.

Entretanto, as nossas ações são coordenadas por um sistema intrincado que atua entre os nossos sentidos (visão, audição, tato) e um conhecimento prévio: sobre como dirigimos, gesticulamos e falamos. Então, tudo isso acontece a partir da nossa mente e funciona relativamente bem, porém, há exceção, sobretudo, naqueles momentos de alterações de humor.  

Eis, o (xis) da questão: as nossas emoções. — Somos seres conscientes, por conta disso, devíamos considerar maior compreensão do nosso interior, sobre o porquê fazemos algo e poucos instantes depois nos arrependemos. O que nos levou a tomar determinadas atitudes muito aquém do nosso comportamento normal, habitual?

Se existem sentimentos, significa que existe algo sutil, porém, real. Esse é o grande segredo da existência humana, a nossa parte extrafísica, o nosso espirito. Trata-se da parte de pura energia que nos anima e nos conecta ao todo, com o universo.

Ademais, não existiríamos isoladamente tal como uma máquina sofisticada, que nada mais é que o conjunto de peças engenhosamente montadas, alimentada por algum combustível ou energia elétrica. Somos muito mais. A energia que nos alimenta, existe numa (frequência) bem sutil e, é extremamente poderosa e a percebemos ao externar nossas emoções.

Assim, os sentimentos têm poder, sobretudo, os mais nobres percebidos pela empatia: (amor e o senso de justiça), entretanto, há outros de cunho egoísta: (raiva, inveja, etc.) que também interferem em nossas escolhas. É fato, fica evidente na forma pela qual nos expressamos e decidimos, porque invariavelmente somos influenciados pelas emoções.

Sabemos que as emoções afetam nossas escolhas e, consequentemente, tudo o que fazemos. Num momento de raiva, por exemplo, certamente não tomamos boas decisões. Aliás, não é incomum nos arrependemos com frequência do que fazemos, quando naquela condição egoísta.

Por isso, pela forma que administramos nossas emoções, agimos para despertar mais paz e harmonia ou inquietação e discórdia no mundo. Na interação com pessoas diariamente, por exemplo, a depender do nosso estado de humor, seja por fala ou gesto, a primeira coisa que invariavelmente nos vem à cabeça diz respeito aos nossos preconceitos. E, sabemos que quando calmos somos mais racionais.  

Mas, essa não é toda a verdade, porque as emoções afetam o estado das nossas mentes e com isso, ocorrem mudanças químicas em nosso corpo físico e podemos nos curar ou ficar doentes. E, em simultâneo, irradiamos a energia na mesma frequência para tudo em nossa volta, e para o universo. Não há mistério nisso, trata-se, de algo que já era conhecido desde a antiguidade: (as frequências dos pensamentos), ou seja, o nosso nível mental interage com tudo.

Por fim, o mais importante para o autoconhecimento provém daquilo que aprendemos a partir das coisas mais simples da vida, como, por exemplo, daquele dito da sabedoria popular: “só amor constrói e o ódio destrói”. Ambos, são sentimentos, entendemos que não provêm da nossa biologia, da nossa parte física mortal, porque ambos (bons ou maus) derivam do dado grau de elevação da nossa alma, do nosso espirito imortal.

REFLEXÃO: O ANIVERSÁRIO

Até onde sei, no mundo todo existe uma tradição de comemorarmos o dia em que completamos mais um ano de vida, o nosso aniversário. Nestas confraternizações, recebemos presentes, mensagens de felicitações das pessoas queridas e tudo mais.

Particularmente, este 17/02 me é muito especial, sobremaneira, porque além do carinho, afeto dos meus amados filhos e demais pessoas importantes da minha vida, aproveito a oportunidade de rever o ciclo que se concluiu neste dia. Embora, não curta saudosismo como o de sopesar se tal período da minha vida foi melhor ou pior. Entretanto, vivo muito mais o tempo presente e, não gosto de ficar desejando o que já passou, aquilo que não posso mais mudar, o meu passado.

Em reflexões anuais, acabo fazendo as maiores constatações na minha vida. A começar pela clássica do autoconhecimento: que podemos melhorar a cada novo momento, seja no tempo de uma hora ou nas próximas 8.760 horas que representam um ano, um ciclo solar. Ou seja, a partir das nossas escolhas podemos apresentar uma melhor versão de nós mesmo, continuamente. Isso vale para quaisquer áreas das nossas vidas, basta tão-somente o despertar da nossa consciência para pensar, escolher e agir com propósitos elevados: com menos egoísmo e cultivando cada vez mais o amor.  

Aprendi ao longo de mais de meio século, totalizado neste ano de (2021), que somos seres extraordinários neste planeta. Não importam o que digam dos outros seres que povoam à terra. Fato é, que somos especiais, sobretudo, porque temos consciência e é isso que nos faz diferente de tudo mais por aqui. Me perdoem aqueles que pensam diferente, mas, até onde vai o meu entendimento, parafraseando minha filha caçula da geração Y:  somos “topzeiras” nesta dimensão tridimensional. Somos seres que pensamos, aprendemos e escolhemos, e isso, são faculdades maravilhosas, porque temos consciência de nós e do universo.

Neste aniversário, estou muito feliz. Só tenho a agradecer aos céus pelo esclarecimento contínuo que venho percebendo em minha vida, o livre despertar de uma consciência humana.

Há muitas bênçãos neste ano: a novidade que se avizinha como o nascimento do meu filho número sete (em maio), assim como, pela vida da Carina, Eduardo, Sarah, Sharon, Rebeca e a Sofia, que a cada oportunidade que interajo com todos, se revelam pessoas aptas e bons seres humanos. Por vezes, mesmo que sutilmente percebo os despertar deles, cada um, a sua maneira, como deve ocorrer à consciência humana. E, o meu relacionamento com minha amada Deise, uma mulher extraordinária e companheira presente, seu carinho e atenção vem fazendo toda a diferença para melhorar cada vez mais a minha jornada nesta vida.   

Na intelectualidade, também, sou grato. Apesar da (COVID-19), tomei coragem escrevi e publiquei uns livros, me desafiei em todos os sentidos, porém, o mais importante é que aconselhei pessoas, compartilhei conhecimentos, procurei fazer a diferença na minha vida e de pessoas que me procuraram. Em suma, segui o meu coração e agi com consciência em tudo que fiz. Não fui leviano, controlei meu ego como nunca, perdoei e esqueci. Segui com fé na criação, naquela centelha divina que existe em cada ser humano.

Por fim, o ciclo anual que ora se finda com este aniversário, pode ser resumido assim, parafraseando Paulo de Tarso na carta a Timóteo: (Combati o bom combate e guardei a fé). Não penso em arrependimentos, magoas, mas tenho muito desejo de acertar cada vez mais, curtir cada momento feliz que perceber e que venham mais 365 dias nesta existência.