O CAMINHO DAS PEDRAS: SABER, CONHECER E VIVER

Disse o filosofo francês Pierre Hadot, “SABER, CONHECER E VIVER”.

Desde muito tempo na história da humanidade, encontramos registros de grandes feitos de indivíduos e seus legados reverberam até hoje, como: Buda, Jesus, Confúcio, Sócrates e outros. Suas vidas impactaram no passado e nos provocam reflexões em pleno século XXI.

Embora, cada um desses iluminados ao seu tempo e de culturas distintas,  há mais pontos de convergência aos de discordância em suas lições. Isso nos diz, que existe uma sabedoria que é universal, um entendimento que nos permite viver melhor, sobretudo, com a possibilidade de encontrarmos paz e a vida em harmonia.

A partir do conhecimento, do saber, poderíamos vencer a ansiedade e os medos e viver melhor, tudo isso por nós mesmos.

Porquanto, à medida que uma pessoa se torna mais consciente, mais profundamente se conhece. Assim, também é válido quanto a honestidade interior, ao não mentir para si, permitirá auto-questionar naturalmente, sobre: desejos, medos e limitações que imagina ter, e com isso, saberá como despertar para uma nova realidade. Eis, portanto, a primeira pedra no caminho para o entendimento.

Sobre a jornada do conhecimento de si, se inicia no momento que se comprometer consigo, porque no autoconhecimento tudo se encerra em você. Apesar de como se vê, ou seja, como imagina e percebe suas dificuldades, mas deverá continuar se questionando, nem que seja pelo mero interesse de saber os porquês.

Ademais, deve considerar sempre, que a depender do seu grau de insegurança com sua existência, tanto mais injusto o será julgamento que faz de si. Considere sempre que está num emaranhado de sentimentos e, por vezes bem controversos. Disse Tolstoi: “Há quem passe pela floresta e só veja lenha para fogueira”.

A despeito da nossa existência, é preciso estarmos atentos a maneira pela qual nos autodeterminamos, antes de exercermos uma ocupação qualquer (sou advogado, sou engenheiro, sou médico, etc.), somos indivíduos, somos humanos.

A vida, uma existência, não se encerre apenas com a determinação do que fazemos profissionalmente ou representamos socialmente, porque o (saber, conhecer e viver) diz respeito essencialmente ao autoconhecimento.

Por fim, a partir desse saber, da compreensão de si, é que tudo mais deverá ser assimilado. Se considerarmos a nossa natureza de seres únicos, como tais, sabemos que para fazer a diferença no mundo é deixar rastros, estes, devem ser além daqueles da nossa profissão e posição social, sobretudo, como indivíduos membros da comunidade humana. 

CAMINHO DAS PEDRAS: COMO E PORQUÊ SER ARTESÃO DA PRÓPRIA VIDA

Por que maioria de nós fracassa em nossos propósitos? — Por exemplo, as promessas que fazemos a cada início de ano, as quais invariavelmente não se realizam ao longo de doze meses seguintes? — Muitos podem até discordar, mas há algo que é determinante para conseguirmos o que desejamos num ano novo.

Trata-se de aprender e planejar as virtudes necessárias para que os nossos projetos funcionem. — A pergunta de um milhão de dólares:

O que significa fazer um planejamento para que as coisas funcionem? Como ser artesão de si?  — Basicamente, tendo mais autocontrole, o controle de si.

Vamos por partes!

Partindo do ponto em que somos humanos, seres trinos, isso é, formados de três partes. Ao mesmo tempo, temos: 1) um corpo físico; 2) a capacidade intelectual e 3) nossos sentimentos. E, parece certo que na maioria das vezes negligenciamos qualquer uma dessas partes e causamos um desiquilíbrio. Portanto, para que possamos dar o melhor de nós, significa que devemos cuidar do todo, daquilo que nos faz humanos. Primar pelo equilíbrio:

Do corpo: (Cuidados físicos) — A vida saudável pressupõe: boa alimentação, exercícios, repouso (dormir bem), abster de vícios, etc., por exemplo, quem nunca esteve envolvido numa proposta de melhorar a aparência do próprio corpo, mesmo sabendo que deveria fazer exercícios regularmente, e tudo mais? Mas, procrastina sempre e, acaba por nunca realizar nada para esse fim;

Do emocional: (Gerenciar as emoções) — Todos conhecemos pessoas que agem com emoções a flor da pele, não se dão conta de que atitudes de descontroles prejudicam tudo, seja nas relações: afetivas, familiares, amizades, profissionais e tudo mais. Ninguém é obrigado tolerar o mau-humor do outro e/ou se sujeitar aos seus disparates.

Do mental: (Limpeza mental) — Sabemos dos efeitos maléficos que os pensamentos negativos criam a nossa psique, tais como: pessimismo; violência; egoísmo; inferioridade, ódio, mágoas. Quase todos conhecemos alguém que adora acompanhar tragédias: como assistir notícias de violência; ver vídeos de cenas de tragédias; ter por hábito acompanhar noticiários policiais e afins; ouvir e/ou fazer fofocas; criticar e/ou julgar a vida de outras pessoas, etc. Quando se trata de falar mau de outras pessoas, existem verdadeiros arsenais de informações neste sentido: (programas, youtuber, ‘blogs’, grupos, etc.), sempre propagando muita maldade e tendo como base o egoísmo e os preconceitos.    

Reconexão espiritual: (Menos religiosidade e mais espiritualidade). Por vezes passamos tanto tempo nos dedicando a doutrinas religiosas e nos esquecemos que não são os fins, mas, apenas, talvez, o meio para consecução da verdadeira espiritualidade. Acredito que todos conhecemos pessoas “religiosas” que cometem atrocidades imorais e maldades psíquicas ao imporem suas crenças aos outros.  Fato é, que indivíduos muito religiosos, demonstram mais preconceito sobre aqueles que não comungam da mesma fé, daqueles que não professam religião alguma. A espiritualidade, é muito íntima e, é quase impossível de se aprender muito sobre ela, só acreditando, porque precisa, na verdade de envolvimento genuíno. É muito comum as pessoas confundirem espiritualidade com a prática de regras morais, talvez porque isso seja a parte mais misteriosa da nossa existência, pois, os nossos sentidos não a percebem.

Por fim, como artesão de si mesmo, devemos manter: corpo, mente e espirito saudáveis, porque dessa conjunção é que dependerá as nossas melhores escolhas e o bom uso de nossas faculdades, como nosso livre arbítrio. Ser construtor de si, em suma, significa trabalhar continuamente na própria existência, mesmo sabendo que nunca estaremos prontos, acabados. Mas, ao menos, mostraremos ao mundo a melhor versão de nós, continuamente.

O CAMINHO DAS PEDRAS: A TRISTE VIDA NO MODO AUTOMÁTICO

Nossa! Como é trágica a vida de uma pessoa com pouco entendimento! Penso que todos nós já conhecemos alguém assim, uma pessoa que vive os seus dias como se estivesse no modo automático, típico indivíduo que apenas sobrevive e, ninguém consegue ser feliz apenas sobrevivendo.

Recordo de uma jovem colega de faculdade, moça bonita e bem-nascida. Ela se sentava na cadeira de trás. Durante as aulas, pedia com certa frequência que eu lhes falasse algo para que ela pudesse usar ao interagir com o professor, óbvio, que ela queria ser notada ao demonstrar algum conhecimento. Muitos anos após a faculdade, a reencontrei. Ela me disse que estreara como atriz, ou algo assim e perguntou: “Elizeu por que sou tão infeliz? ”. Então, por uns instantes, eu não sabia o que responder para a ex-colega. Entretanto, a conhecia o suficiente para saber que ela parece uma típica pessoa que nunca quis existir como indivíduo: não tinha o hábito de pensar por si mesma.  Portanto,  a minha orientação para que refletisse sobre a própria vida, não iria fazer a menor diferença.

Há pessoas que não tem as rédeas da própria vida. Suas escolhas são condicionadas: seja por imposição de uma doutrina religiosa; pela vontade de seus cônjuges; por determinação dos seus pais; pela moda e, assim por diante.

Fato é, que as ações de um indivíduo autômato nunca ocorrem pela autodeterminação. Ao que parece, a sua vida está presa numa teia de influência externa sem fim. Difícil para tal indivíduo, se sentir realizado, mesmo porque, ele não se conhece e não sabe o que quer da vida.

Por fim, é preciso nos determos ocasionalmente para autoanalisarmos o quanto do que fazemos (as nossas escolhas), são frutos da nossa plena consciência. Porque, como já dissemos, muitos de nós que passam pela vida sem de fato compreender o significado de viver uma existência, vivendo apenas no modo automático.

O CAMINHO DAS PEDRAS: A VERDADEIRA FELICIDADE

Sou empirista, aprendo pela experiência. Já faz alguns anos que estou buscando o entendimento pelo autoconhecimento, compreender a existência, entender a vida. Aprendi, por exemplo, que o saber adquirido através do processo de contemplação desde os pequenos fenômenos, eventos do dia-a-dia, é mais plausível. Percebi uma constante na vida da maioria dos mortais, que é o desejo de ser feliz.  Parece se tratar de uma espécie de ideal humano, como se fosse a busca do próprio ‘graal’, a sua  pedra filosofal.

Contudo, com raras exceções, ouço pessoas e seus relatos sobre a felicidade não me parecem originais, são modelos, convenções de realizações pessoais. Constatei, que para uma grande parcela das pessoas observados, as suas versões de felicidade, se resumem em: conseguir a posição social x, manter relacionamento com uma pessoa que se comporte da maneira y, ter a posse de bens j, etc.

Fato é que, tal modelo de ‘realização’ não é garantia de felicidade verdadeira, “ou não”, parafraseando Caetano. 

O ponto central para compreender a felicidade verdadeira passa por dois requisitos primordiais: 1) a qualidade da felicidade; 2) o seu grau de entendimento. Porque, a experiência dessa boa sensação que experimentamos, poderá variar a depender sempre do grau de entendimento de cada um, ou seja, da sua compreensão do que seja a existência, a vida.

Se para alguns de nós, que percebem apenas a vida elementar, como um ter —, qualquer conquista como a posse de bem ou posição social mais elevada, estes, pensam ser felicidade. Contudo, essa visão é simplista, típica daquelas pessoas que formam a base da pirâmide do entendimento: os indivíduos que só querem muito do mesmo, daquilo que é elementar: (sexo, abrigo, alimento, bens, etc.). Para estes, a sensação de bem-estar se esvazia tão breve quando começa, e, necessitam continuamente ainda mais do mesmo, para experimentar aquela sensação de contentamento novamente. Portanto, o seu contentamento não passa de uma espécie de droga, de vício.

Para outros, no entanto, que compreendem a existência e conhecem a si mesmos, continuam o seu dia-a-dia com serenidade. Porque, sabem que situações desagraveis e/ou condições limitantes podem sobrevir a qualquer momento, mas, apesar das dificuldades, existirão os momentos de contentamento. Portanto, ao seu entendimento se revelam a verdadeira felicidade: que está nos pequenos eventos da vida e que ocorrem frequentemente.

Agora, sendo mais enfático, acredito que qualquer dos leitores poderia até fazer uma lista de pessoas que conhece e, que, tem muito mais do mesmo: (são ricas, famosas, bem-sucedidas), quantos dessas podem afirmar ser uma pessoa feliz? —, eis, portanto, o (xis) da questão! — A chamada felicidade ‘ala-carte’, não é a felicidade a qual me refiro.

Nesta reflexão, se preferirem façam uma pesquisa simples: perguntem para pessoas com muito do mesmo: (os ricos), sobre a felicidade. Notem, como algumas pessoas descrevem e/ou demonstram um padrão de ‘felicidade’.  É, quase certo, que muitas dirão que ainda desejam muito mais do que possuem, para se sentirem felizes.

Fazer o que todo mundo faz, é modismo.  E, como sabemos, a moda nunca foi boa conselheira, sobremaneira, quando se trata de compreender a felicidade. Tem aquela expressão clássica do Nélson Rodrigues: “Toda a unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar”

Por fim, a felicidade pode ser bem subjetiva e alguns podem até advogar neste sentido, mas, a felicidade verdadeira certamente só é acessível para aqueles (as) que despertaram para a compreensão da existência, para o sentido da vida. Se a nossa vida fosse como uma árvore frutífera, o fruto seria a maneira pela qual nos revelamos para o mundo e, o sabor da fruta o que a natureza espera de nós: a doçura como a verdadeira felicidade.

CAMINHO DAS PEDRAS: PORQUÊ O SEU RASTRO NO MUNDO IMPORTA

O que buscamos em última estância nesta existência: amor, paz, prosperidade, a felicidade? —, penso que essa seja uma questão totalmente aberta.

Num plano amplo, no contexto da vida em sociedade. Há milênios sabemos da existência de modelos (ideais) de sociedade, que talvez seja impossível sabermos quanto tempo estamos na empreitada da evolução social, qual seja? A busca por justiça e paz.

Porém, é fato que a evolução social nas relações com nossos irmãos humanos, nunca foi totalmente pacifica e ideal. Isto porque, também, sabemos que há ações nefastas de pessoas contra semelhantes em todos os tempos, por exemplo, a exploração do homem pelo homem: que no passado era de forma direta (escravidão), hoje, no entanto, ocorre pela má distribuição dos recursos/riquezas entre os povos.

Portanto, seja de forma direta ou não, a injustiça social nunca deixou de fazer parte do meio social global, gerando sofrimento e desigualdade, não importa o tenha já tenha sido feito para mudar isso.

No plano mais especializado, usando lente microscopia, afinal, as ações em prol da humanidade devem ser tratadas primeiramente ao nível do íntimo de um único individuo, ou seja, na forma que nos relacionamos como nós mesmos. Nesta escala, poderemos também aferir que há exploração. Parece estranho, mas não é. Quase todos conhecemos pessoas que vivem de forma medíocre, agindo segundo doutrinas dogmáticas e/ou presas numa visão limitada de mundo.  

Mas, diferentemente do possa parecer o explicito acima, sou otimista de “carteirinha”, defendo de unhas e dentes a busca por ideais humanos nobres. Isso porque, acredito que o indivíduo pode melhorar continuamente. O que fomos num passado recente, não necessariamente precisa ser o nosso presente e no futuro.

Nesta reflexão, ouso fazer essa breve tentativa de compreender alguns porquês de sermos tão incoerentes: se de um lado desejamos viver a humanidade em sociedade justa e pacifica, por outro, agimos como verdadeiros déspotas contra nós mesmos. Somos muito contraditórios. Talvez isso se deve a nossa complexidade interior, somos muito mais complexos que possamos imaginar.

Sou empirista e não sou psicólogo, por isso, peço a estes, que me perdoem. Mas observei, a começar pelo fato de que dentro de cada um de nós, podem existir muitos (Eus, Egos). E, cada um dos (Egos) agem como se sabotando ou outro, em algumas pessoas isso ocorre num ciclo sem fim, que em determinado grau se tornam patologia da psique. Mas, aqueles doentes são exceções. Porquanto, se noticiam que o mal do século, sejam doenças da psique, tais como a depressão, etc. Assim, tirando as exceções, voltamos aos seres ‘normais’ como cada um pensa ser.

Então! Como nos livramos das contradições internas e passamos agir de maneira mais profícua? — Começando pela compreensão de si e, depois, auxiliando na construção de uma sociedade melhor, porém, essa é uma grande questão, mas não é impossível.

A missão é possível, bastaríamos que mudássemos o nosso Ego. Por óbvio, é um trabalho muito peculiar, individual, que se inicia com uma viagem para dentro de nós, pelo autoconhecimento. Poderíamos iniciar da seguinte forma: tendo mais diálogos interiores, por exemplo, temos milhares de pensamentos e consequentes fazemos julgamentos baseados neles.  Porém, devíamos avaliar bem melhor antes de externamos as nossas escolhas, porque, talvez, não saibamos qual dos (Egos) esteja falando em dado momento. 

Numa imersão pessoal, pratico com certa regularidade um modelo elementar de conversa interior, diálogo com meus egos. E, para explicar como isso acontece, imagino que seja como uma estrutura trina, como um triângulo Isósceles, sendo:

Na base do triângulo, que é a maior parte: imagino serem os pensamentos, porque, são aos milhares diariamente. E, de antemão, não deveríamos aceitá-los de imediato, ou confiarmos que seja a nossa melhor escolha, só pelo fato de serem muitos. A unanimidade nem sempre é sinônimo de sabedoria.  

De um lado do triângulo, o lado esquerdo: tem o mesmo tamanho daquele que está à direita, supomos que devem ser os nossos questionamentos (os porquês): por que estamos pensando dessa ou daquela maneira e, agir como se duvidássemos daquele turbilhão de pensamentos.

De outro lado do triângulo, o lado direito: deveríamos colocar as questões que nos são mais caras, como os nossos valores pessoais de (justiça, amor e paz). Mas, nunca aqueles valores impostos por uma doutrina religiosa, ou, porque, seja o comum de dada comunidade. Antes, porém, deve refletir o que realmente nos faz perceber a existência plena, ou seja, que seja a nossa visão da justiça e amor.

Neste esquema de auto-questionamento, todo o processo ocorre de forma simultânea, desde fragmentos de sentimentos do dia-a-dia, seja qual for, que denote: uma mágoa, uma inveja, a raiva, intolerância, etc.  É, um exercício continuo, pois, se trata de um policiamento interior constante. Escolher como nos expressar e, sobremaneira, o quanto somos honestos como nós mesmos, porque, a maior traição que alguém pode cometer, é conta si mesmo, é trair a própria consciência.

Por fim, o rastro que realmente vale a pena deixar é aquele que marca o nosso caminhar autônomo, como indivíduo. A maneira pela qual interagimos com as pessoas, como exprimimos nossos (valores) pessoais reais e, nunca apenas, como sendo o subproduto de determinada doutrina de dado rebanho. Mas como nos fizemos o que fizemos, enquanto indivíduo. É, o nosso exemplo de vida que a depender da qualidade das nossas ações, será para a posteridade um modelo de inspiração.

REFLEXÃO: A IGNORÂNCIA

Há três sentidos para que a pessoa seja considerada ignorante: 1) por não ter conhecimento; 2) por atitudes grosseiras e 3) por não tenha malícia. Segundo os dicionários, são mais de 50 sinônimos para o termo ignorância, entretanto, o sentido mais comum para o emprego dessa palavra diz respeito:

1) as atitudes: (grosso, estúpido, burro, bruto, grosseiro, indelicado, bronco, imbecil, boçal, idiota, pateta, presunçoso, pretensioso, rude, selvagem, tolo, xucro);

2) ao conhecimento: (analfabeto, incompetente, insipiente, iletrado, insciente, desinformado, inexperiente, desconhecedor, leigo);

3) a não ter malícia: (ingênuo, inocente, puro).

Ignorante, talvez seja o termo que mais utilizamos em julgamentos que fazemos sobre outrem, geralmente é um hábito completar frases na qual um desafeto é citado, com a palavra ignorante: (fulano é um ignorante, beltrana é muito ignorante). Fato é, que fazemos isso com tanta frequência e não nos damos conta, — talvez, seja pela nossa própria ignorância sobre dada pessoa?

Se de um lado, a ignorância, no sentido de não ter malicia, a princípio, pode ser mais uma virtude que uma falha, pois, neste sentido: (ingênuoinocentepuro), é por óbvio, a pessoa que se satisfaz mais facilmente, mas, por outro lado, pode se tornar uma presa fácil para seu meio social cheio de ardil.

Por fim, seja como for deveríamos ter mais cuidado ao nos referir a outrem como sendo uma pessoa ignorante, porque, além de ser uma palavra com maior conotação ofensiva, poderíamos na maioria das vezes cometer erros de julgamento.

REFLEXÃO: DILEMAS DAS MANHAS

Temos algumas manhãs, que desde o despertar nos sentimos impotentes, limitados, como se o mundo nos pressionasse de maneira asfixiante, porém, essa mesma percepção de impotência é o que nos dá a pista de como saímos disso. Tudo isso, as nossas aflições, muitas vezes, são periféricas do nosso eu interior, da nossa consciência.

Aquele estado de tensão, é em grande parte oriundo dos nossos próprios pensamentos, que se descontrolam ignorando o contexto da existência na totalidade. Eles  (os pensamentos) pinçam da nossa mente quase que cirurgicamente algumas memórias ruins, e em instantes, se inicia um ‘download’ imenso das nossas mazelas, questões não resolvidas, trazendo tudo a toma.

A sensação de impotência é grande, que por instantes, tudo aquilo que nos aflige isoladamente, é colocado numa mesa enorme, na qual, nós estamos sentados à cabeceira, e sozinhos, nos obrigando a resolver tudo naquele momento.

Porquanto, a depender do seu estado de consciência, isso poderá lhe roubar a paz pelo resto do dia, porque é um dilema insolúvel. E, é certo, que se não resolvemos tais questões no passado e as arquivamos, certamente, não conseguiremos equacionar tudo de uma só vez.

Então! A pergunta de um milhão de dólares!

Como sair dessa cilada da mente, que trouxe um sem número de pendências a tona e deseja uma solução mágica?

Por fim, como diziam os antigos: “se não consegue carregar o mundo nas costas, suba nele e deixe-o que lhe carregue”. Acrescento, um breve roteiro para se fazer isso: vá até um local com vista da natureza: (plantas, árvores, pássaros, etc.), feche os olhos, pare seus pensamentos, limpe sua mente, fique em silêncio e respire fundo por uns instantes. Ao abrir os olhos, observe que tudo a sua frente só existe porque consegue adaptar-se.

CAMINHO DAS PEDRAS: A DISCIPLINA AMIGA DA FELICIDADE

Somos parte do que criamos, isso é fato.  Porém, inexoravelmente muitos de nós somos levados a pensar e agir de maneira tão contraditória. Vale uma reflexão: quem dentre nós tem coragem e honestidade suficiente para se expressar de maneira sincera consigo mesmo?

Embora não admitamos, mas corriqueiramente inventamos mil e uma maneiras para nos iludir, mentir para nós mesmo, e a pior parte disso, é que o fazemos sem culpa e pudor, sobretudo, com a relação interna entre o que desejamos indo na contramão do que sentimos. Isso é flagrante, é perceptível de imediato, pela maneira que nos expressamos em julgamentos imediatos, por exemplo.

Como tudo sugere, há um problema com a nossa disciplina interior, porque nem sempre mantemos em níveis elevados os interesses que realmente importam para nossa autorrealização. Tendemos a fazer escolhas forçadas, que invariavelmente contrariam valores os quais são caros aos nossos sentimentos, porém, sabemos que há exceções, daquelas pessoas naturalmente pragmáticas.

Por fim, ter atitude e perseverança quanto a nossa disciplina interior é essencial. Sabemos que na vida nem tudo são flores, mas, a forma com a qual você escolhe viver dado momento é importante: se alegre ou não, porque são eles (os momentos), que te prenunciam para o universo dando conta do seu comprometimento com a sua verdade interior: o que deseja, o que sente e o que pensa, seja a verdadeira expressão dos seus sentimentos

CAMINHO DAS PEDRAS: DE ONDE VEM A FELICIDADE

Em algum momento das nossas vidas, nos questionaremos, ou ouviremos de outras pessoas lições sobre a felicidade: se devemos fazer isso ou aquilo, daquele ou de outro jeito para atingir o objetivo maior, sermos felizes.

No entanto, poucos serão os conselhos dando conta de que a felicidade é um trabalho personalíssimo, proveniente do nosso interior.

Fato é que a felicidade deve vir de dentro, pois, se trata de uma interação genuína com o nosso eu interior, porque, quanto mais conhecemos a nós mesmos, maior serão as oportunidades de atingirmos a completude, a auto realização. Pode até soar como ensinamentos de gurus orientais, mas, não é.

Tudo que realizarmos em favor de outrem, por exemplo: como a caridade, nem sempre, isso por si só, nos garantirá a felicidade, a não ser, que o façamos como um propósito de vida. Neste caso, observando os valores supremos de uma existência: (verdade, amor, justiça, igualdade e a paz).

Por fim, gozar de momentos de felicidade vai depender muito do quanto nos conhecemos intimamente e do controle que temos da nossa natureza interna, egocêntrica e animalesca. Muito embora, na vida humana ao que tudo sugere,  a felicidade seja um proposito para a nossa existência, porém, sujeita ao nosso livre arbítrio.

CAMINHO DAS PEDRAS: ORIGEM DA RAIVA

Quem nunca se questionou sobre o motivo pelo qual sentimos raiva? — Pode até parecer uma questão secundaria, mas, no caminho do autoconhecimento, não é.

A raiva nos causa muito mal, ela nos tira a paz e geralmente nos leva a fazer escolhas fora do nosso padrão de comportamento: “só fiz isso porque estava de cabeça quente, com raiva”, é muito comum ouvirmos ou falarmos isso, e pode  se tornar a rotina para escusarmos de más escolhas.  Mas, a pior parte é, sabemos que a rotina de hoje, amanhã se tornará um hábito em nossas vidas.

Entretanto, a primeira coisa que devemos ter em mente para refletir sobre o tema é: será que não estamos nos deixando ser vítimas das circunstâncias? (Lamentar sobre o trabalho que não gosta; detestar a vida que leva ou a própria imagem que faz de si; o péssimo relacionamento com alguém, etc.)  

Depois, devemos mergulhar  a fundo em nós, e tentar, descobrir a raiz desse mal que afeta as nossas vidas em todas as esferas: (no convívio social, em família, no trabalho e principalmente nos relacionamentos afetivos), sobretudo, como nós mesmos, (quando nos odiamos).

Tudo pode começar quando acordamos de mau-humor, com raiva, é o prenúncio de que teremos um péssimo dia pela frente, porém,  a melhor atitude a adotar, deve ser a de combater esse estado de espírito desde o momento que nos vemos no espelho.

Como se faz isso? — Com a percepção e enfrentamento do medo, eis, de onde nasce toda a raiva.

Por fim, para combatermos os nossos MEDOS, devemos partir da ponderação sobre os porquês temos esses temores. E, a primeira coisa a fazer depois, é agir com honestidade consigo, não culpar outrem e evitar se maldizer de qualquer maneira, porque iniciar o dia com vibrações negativas é o caminho mais curto para criar  mau hábito da raiva.