REFLEXÃO: FELICIDADE, O AMOR E A PSIQUE

Atire a primeira pedra quem nunca se sentiu infeliz por não ter conquistado dado ideal dos sonhos?  —, fato é que muitas vezes nos sentimos dessa ou daquela maneira, como se fossemos as vítimas das circunstâncias. Mas, será que tal sentimento (infelicidade) não é causado por questão de percepção da psique imatura? — Vamos refletir um pouco conhecendo a minha versão do mito da Psique e Eros.

Conta um mito grego, que a psique era uma princesa e tinha duas irmãs. A jovem princesa (psique) era muito bonita, infinitamente a mais bela que suas duas irmãs. Tanto era a formosura da psique, que os seus pretendentes ao contemplar tamanha perfeição e beleza não tinham coragem para pedir em casamento, isso porquê, imaginavam que só poderia ser uma maldição da deusa Afrodite.

As irmãs da psique se casaram e tiveram filhos, mas a bela psique embora cortejada não conseguia um único pedido de casamento. O tempo passou, e os pais da psique preocupados com a solteirice da princesa, procuraram o oráculo para saber o que fazer sobre a felicidade da filha.

A voz do oráculo lhes disse: a sua filha, a bela psique, deve se vestir de noiva e ser abandonada no alto de um rochedo solitário, onde um monstro iria buscá-la. Os pais da psique tristes e desolados, mas cumpriram a determinação do oráculo.

Tomada por grande medo, a psique ficou ali no rochedo esperando por ser destino, até que em dado momento um vento a levou para o alto, para além das nuvens, e a deixou diante do portão de um magnífico castelo.

Psique ouvia no castelo uma voz sedutora que a convidava para entrar, com pouca resistência a psique acabou aceitando e entrou. Tudo ali era maravilhoso, a psique nunca viu nada igual, que percebia sequer o tempo, estava encantada.

Anoiteceu, e a psique foi levada para um belo quarto e adormeceu. Quando despertou ainda estava escuro, percebeu haver alguém ao seu lado, mas antes que ela pudesse falar algo ouviu uma voz envolvente, que disse: “sou seu amado e que nada de mal vai lhe acontecer, mas, só tem uma condição: você nunca deve o ver o meu rosto, senão desaparecerei”.

O tempo passou e toda noite aquele estranho e encantador amante vinha a sua cama e a fazia muito feliz. A psique aceitou aquela condição do seu amado, — pensou: “com certeza meu amado não deve ser um monstro”. A psique se sentia muito feliz, porque se sentia completa: amada e tinha uma companhia encantadora. Não dava mais importância para o fato de não poder conhecer totalmente a face do seu amor.

Certo dia, cheia de alegria, a psique recordou dos pais e das irmãs e, falou para seu amado que desejava visitar sua família. Ele prontamente atendeu, mandou um vento que a levou ao encontro da família: suas irmãs e os filhos delas, todos ficaram felizes por saber da felicidade da psique.

Então, a psique, lhes contou tudo aquilo que havia lhe ocorrido desde o dia que fora deixada por seus pais na beira do rochedo. Mas, suas irmãs insistiam muito pelo fato de que a psique nunca vira o rosto do amado, tanto foram os comentários e insinuações das irmãs, que a psique teve dúvidas das próprias convicções e foi tomada pela curiosidade.

Quando retornou para o seu castelo, a psique estava cheia de dúvidas e curiosidades, — será, que o seu amado era um mostro, como sugeriram suas irmãs?

Certa noite enquanto o amado dormia a psique acendeu a lamparina para ver seu rosto, tão grande foi seu espanto ao perceber ser a criatura mais bela que havia visto, mas ao chegar mais perto, uma gota de óleo do lampião caiu no ombro do amado e ele despertou, em poucos instantes, desapareceu da sua vida.

Apaixonada e inconsolada pelo sumiço do amado, a psique procurou por ele em todos os lugares, mas não encontrava. Desesperada buscou falar com a deusa Afrodite, e rogou-a para lhe ajudar encontrar seu amor.

A deusa lhe deu muitas tarefas, cada nova missão era mais difícil que a anterior. Mas, a psique continuava obstinada, na busca incansavelmente pelo seu amado.

Certa feita, Afrodite lhe pediu para fosse ao inferno e trazer-lhe uma poção mágica. A psique suportou todas as dores e aflições infernais e que quando retornou, decidiu que se bebesse aquela poção que Afrodite lhe pedira, por certo, poderia achar o seu amado.

Mas, quando a psique desesperada bebeu a poção mágica e caiu num sono profundo, porque, na verdade, aquela era uma vingança da deusa Afrodite pôr a psique ter se relacionado com o seu filho Eros. Era inconcebível que uma reles mortal como a psique, pudesse conviver com Eros, um deus.   

Contudo, Eros que observava todo o sofrimento da psique, e tomado por imensa compaixão, rogou para sua mãe Afrodite que lhes perdoasse, e pediu, também, a Zeus que lhes permitisse conviver com a psique.  Zeus aceitou os argumentos do filho de Afrodite, e lhes disse: “Eros você pode acordar a psique com um beijo apaixonado”. Assim, a psique pode conhecer seu amor face-a-face.

Por fim, penso que ninguém está condenado a viver sem conhecer o amor. Com licença “poética” adaptamos esse belo mito antigo, para demonstrar que cada um, a depender do seu grau de maturidade poderá até dormir para sempre, sem conhecer o amor, porque a imaturidade da psique é que torna o caminho da felicidade mais difícil.

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