AUTOCONHECIMENTO: FUTURO PÓS-PANDEMIA, UMA SUGESTÃO DE PRIORIDADE

Minha predileção pelo estudo filosófico e a sua aplicação, na prática, não é segredo, também, a identificação com o empirismo, a vivência prática do saber, com a experimentação. Desde a minha juventude cultivo ideais até utópicos (para um indivíduo mediano), porém, sou orientado e motivado por um desejo quase inconsciente de fazer algo para tornar o mundo melhor. Mas, o tempo passa e os compromissos que todos temos na vida adulta nos compele procrastinar.

Contudo, na manhã de ontem, como sempre faço aos domingos: visito a feira municipal. Único luxo que me permito semanalmente: comer pastel de feira, com os cuidados sanitários, é óbvio. E, ao observar o comportamento das pessoas quando estão motivadas apenas pelo elementar na vida: a sobrevivência e a sociabilidade, é que aprendo muito nesses ambientes.

Nesta reflexão, fui motivado pela minha adorável Deise. Aliás, pelo que ela disse a caminho da feira: “em plena pandemia quando as pessoas estão mais vulneráveis, há indivíduos criminosos se utilizando de ‘posts’ contendo anúncios sobre empregos, ao clicar no ‘banner’ o seu ‘whatsapp’ é clonado, etc.” É, lamentável, esse mau uso da tecnologia.

Enquanto observava as pessoas na feira praticando atividades que remontam tempos imemoriais na história da humanidade, em contraponto, via-se nas mãos delas (‘smartphones’) — que contraste! O velho ofício comercial ancestral (comercio de feira) e a modernidade trazido pela tecnologia. Então, será que a vida do homem está mudando para melhor?  — assertivamente não.

O onde está a raiz do problema? — Se tanto mais tecnologia disponível, maior a sofisticação nos crimes!

Fato é, o ser humano em seu interior, parece que continua com no passado, ou cada vez mais mesquinho, egoísta e ganancioso. As facilidades trazidas pela tecnologia, fez o indivíduo mal-intencionado ampliar o seu potencial de maldade.  — O que poderíamos fazer substancialmente para enfrentar o crime?

Ademais, no dia-a-dia é possível constatarmos que a conduta humana destoa com o progresso da civilização, a evolução do indivíduo (do ser) ao que parece não acompanha o desenvolvimento tecnológico, nem de longe, ou, muito pelo contrário, vai em sentido oposto: quanto mais tecnologia, menor é o senso de civilidade.

Para trazer luz a nossa reflexão, vi uma mensagem da Profa. Lucia Helena: “há dois pilares principais nos quais se assentam o marco civilizatório da humanidade: de um lado o progresso (as coisas que o homem faz: (objetos tecnológicos, o desenvolvimento cientifico sobre toda matéria, a compreensão do universo, etc.), de outro o interior do homem, a edificação do próprio homem (conhecimento de si mesmo, a ética e a moral)”. Neste particular, as religiões, há séculos com suas doutrinas não conseguem cuidar da interior do ser humano.

O problema é que há desnivelamento nestes pilares, há disparidade nesse “frontão civilizatório” — segundo Lucia Helena, “porque vemos mais coisas sendo desenvolvidas pelo homem e menos desenvolvimento do próprio homem”. Portanto, isso nos diz da necessidade de darmos mais atenção para a formação humana, muito além da intelectualidade, sobretudo, com mais valores nobres, tais como: ética e a moral.

Deveríamos ter num pós-pandemia, ao invés de pensarmos só na era da tecnologia, escolher, a desenvolver a era do equilíbrio: entre a formação humana (versos) o desenvolvimento tecnológico.

Pode soar como distopia, mas serve de alerta, porque o grande perigo da civilização atual: é o crescimento exponencial de indivíduos subdesenvolvidos em questões humanas: (moral e ética), fazendo o mau uso de tecnologia de ponta, por exemplo, ao utilizar a IA (inteligência artificial) para cometer crimes. O resultado disso, seria catastrófico. Talvez até precisaremos utilizar meios de coerção social a partir de decisões algorítmicas, ou seja, humanos governados por robôs.

Por fim, na pós-Covid19, o avanço do “marco civilizatório” (Lúcia Helena), deveríamos nos voltar cada mais para o desenvolvimento humano, orientar o indivíduo na busca pelo autoconhecimento, o conhecimento de si e a sua interação com seus iguais. Com mais interações humanas saudáveis, pautados na ética e na moral. Isso independente da sua raça, credo ou poder econômico. Buscar cada vez mais olhar para o interior do indivíduo.

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